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Editorial

Fraude de estudante deve servir de exemplo

Esse negócio de Argumento de Inclusão e de Cotas para Negros são duas coisas discriminatórias no acesso as universidades públicas. O primeiro porque beneficia alunos da rede púbica de ensino e prejudica quem estuda em escola privada. O segundo porque beneficia negros em detrimento do branco, mesmo que este branco seja pobre.

A fraude cometida por um estudante comunicada na sexta-feira pela vice-reitora da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), Ângela Paiva, comprova o que estou dizendo.

Primeiro lugar de Medicina no vestibular 2011 da UFRN, Antônio Gomes da Silva Filho, que já era estudante do curso de Odontologia da instituição, utilizou-se do Argumento de Inclusão para prestar o vestibular de Medicina. Antônio Gomes era matriculado em Odontologia desde 2008 e para ingresso na UFRN apresentou histórico de escola particular. A fraude só foi descoberta após ser aberto uma Comissão de Sindicância.

Aproveitando-se do benefício do Argumento, aberto para alunos do Supletivo no ano passado, Antônio Gomes fez matrícula na Educação de Jovens e Adultos em escola pública apresentando-se como tal na inscrição do Vestibular 2011.

Para ter acesso ao benefício, o aluno precisa ter cursado os três últimos anos do Ensino Fundamental e todo o Ensino Médio em escola pública.

É aí que está o X da questão: Ninguém matricula filho em escola da rede privada porque gosta. Não, não é isso. O problema está no ensino público de péssima qualidade oferecido no Brasil. Se houvesse um ensino fundamental e médio na rede pública de qualidade ninguém matricularia seus filhos em escolas particulares, cujas mensalidades são absurdas.

Lembro que nas décadas de 1960/1970, só a título de exemplo, o Atheneu Norte-riograndense como a Escola Winston Churchil, em Natal (RN), disputavam com os colégios Marista, Salesiano, Maria Auxiliadora, entre outros, os melhores lugares no vestibular. Hoje, as escolas públicas estão fadadas a fechar por falta de professores e qualidade no ensino.

Mas é isso. Nem Argumento de Inclusão, nem cotas raciais vão resolver o problema de acesso a classes menos favorecidas as universidades públicas. O que resolve sim é um ensino de qualidade na rede pública de ensino desde o ensino fundamental. O resto é conversa pra boi dormir!

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