Henrique e o rolo compressor
Sempre disse e repito que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), só entraria numa campanha para disputar o governo do Rio Grande do Norte se corresse pouco risco de derrota. Não à toa trocou uma reeleição garantida por uma disputa não tão fácil quanto pensava. Henrique é o parlamentar com maior número de mandatos consecutivos na Câmara. 11. Ao todo são 42 anos sem ter perdido uma cadeira na Casa. Por tudo isso e somado ao fato dele hoje ser o terceiro nome na linha sucessória presidencial, Henrique Alves, com todo o seu poderio seria certamente reeleito para mais um mandato. Mais abdicou disso para apostar num sonho de seu pai, ex-governador Aluizio Alves, falecido em 2006, de vê-lo um dia governador do Rio Grande do Norte.
Para traçar o caminho que o seu pai traçou um dia, Henrique não fez ressurgir o “caminhão da esperança” que Aluizio inventou na década de 1960 para arrastar multidões em grandes passeatas. Não, até porque ao contrário do pai Henrique tem um grande índice de rejeição perante o eleitorado. Difícil, então, ressurgir com o “caminhão da esperança”. O filho de Aluizio Alves preferiu criar um “guarda-chuva” eleitoral, um verdadeiro “rolo compressor”, diria, onde pudesse abrigar o maior número de partidos e, claro, o maior número de caciques da política papa-jerimum. Óbvio que dentro deste “guarda-chuva” teria que entrar a vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), que ameaçou o projeto de Henrique em determinado momento. Ou seja, o de sair candidata novamente ao governo do estado. Mas, sabedor do sonho da “guerreira” em ser senadora, Henrique Alves tratou logo de convidá-la para formar chapa com ele, saindo ela (Wilma) candidata ao Senado. Pra isso esqueceu até que o seu PMDB é aliado do PT no plano nacional e escanteou a colega de Câmara, deputada Fátima Bezerra (PT) que também almeja a senatória.
Mas, Henrique sabe também que é melhor ter Wilma de Faria ao seu lado do que Fátima Bezerra. Concorrer com Wilma ao governo não era projeto de Henrique. E como bom articulador convenceu Wilma de que o melhor pra ela era está ao seu lado concorrendo ao Senado. Talvez prometendo até a sua eleição, como deve ter garantido também a reeleição do deputado federal Felipe Maia (DEM), filho do senador José Agripino Maia, presidente nacional do Democratas, que em função dessa “garantia” despejou a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) do seu projeto político de concorrer a reeleição. Trouxe para ser seu companheiro de chapa o também deputado federal João Maia (PR). Amealhou o apoio de quase todos os 24 deputados estaduais e centenas de prefeitos dos mais diversos partidos políticos. Agora mesmo, trouxe para o seu lado a deputada Gesane Marinho (PSD) e seu grupo político familiar. Enfim, Henrique Alves vai entrar nesta campanha pensando em correr pouco risco.
O único erro de Henrique Alves, no entanto, foi não colocar neste “guarda-chuva” o povo, o eleitor propriamente dito. É como disse Garrincha com toda a sua inocência – já que estamos em época de Copa do Mundo – ao se dirigir ao técnico brasileiro, Vicente Feola, na Copa de 1958:
– Falta combinar com os russo seu Feola!
Pois é, Henrique Alves quer correr pouco risco sem ter combinado com os russos, digo, o povo.
A conferir!