Henrique quer entrar na campanha com pouco risco
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB), pré-candidato a governador do Rio Grande do Norte, pode até não se eleger, mas trabalha para começar a campanha correndo pouco risco para que isso não ocorra. Alves só iria para esta disputa se fechasse uma chapa que abrigasse tantos partidos quanto o possível. Isso ele já está conseguindo. Ainda esta semana fechou com o PTB do ex-secretário da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), Benito Gama
Não só isso: ontem, em Brasília, onde também trabalha a sua candidatura a governador além dos afazeres de presidente da Câmara, Alves instalou a comissão especial para analisar o aumento dos repasses da União para o FPM (Fundo de Participação dos Municípios), coisa que interessa diretamente aos prefeitos. Detalhe: o presidente do colegiado será nada mais nada menos do que o deputado federal João Maia (PR), que será o seu vice na chapa ao governo do estado.
Ainda na noite de terça-feira, também em Brasília, Henrique Alves se reuniu com cerca de 150 prefeitos, a maioria deles do Rio Grande do Norte, que participaram da 17ª Marcha à Brasília em Defesa dos Municípios.
Henrique está também procurando os evangélicos. No último sábado participou da Assembleia Geral da Igreja Deus Madureira, juntamente com o líder do PMDB na Câmara, seu colega e amigo Eduardo Cunha (RJ). Segundo a coluna Radar on-line, “onde há evangélicos e perspectiva de poder, normalmente, Eduardo Cunha está por perto. A reunião contou com a presença de aproximadamente 100 pastores.
Muitos dirão que apesar de toda essa articulação de Henrique ele tem um índice de rejeição muito alto perante o eleitorado. Verdade! Mas lembro aos céticos que Lula ao se eleger presidente da República pela primeira vez também tinha uma rejeição alta, não só na classe média, como também nas classes menos favorecidas. Ele, Lula, e o PT. E o que fez o ex-torneiro mecânico para poder se eleger presidente? Tratou de construir um arco de alianças com partidos de centro-esquerda. Lula convidou para ser o seu vice um empresário, José de Alencar – já falecido. A receita deu certa e Lula repetiu ela na eleição seguinte. Resultado: governou o país por oito anos e ainda fez a sua sucessora.
Não estou aqui comparando Henrique a Lula, óbvio, e nem teria o menor cabimento. Apenas estou dando um exemplo de que para se ganhar uma eleição vale muita articulação. Até engolir sapo, diria. Lula teve que engolir um empresário como vice, coisa que ele sempre combateu enquanto sindicalista. Henrique teve que engolir Wilma de Faria (PSB) para ser a sua candidata ao Senado. Na política o que vale é o jogo de interesses nas articulações para acomodar a todos. E é isso que Henrique Alves está fazendo.
Se vai ganhar a eleição com isso só as urnas dirão.
A conferir!