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Editorial

Henrique quer saber o que o povo pensa da Câmara. E precisa?

Leio hoje no Correio Braziliense que o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ordenou a elaboração de um edital para contratar empresa de pesquisas para apurar, em todo o país, a opinião de brasileiros a respeito da imagem da Casa. As posições e as propostas que tramitam no parlamento — que, assim como as demais instituições políticas, está desacreditada entre os eleitores — serão avaliadas periodicamente pelo prazo mínimo de um ano, em análises a serem feitas diretamente com a população.

Nem precisava a Câmara encomendar essa pesquisa. Primeiro, por ser um gasto desnecessário. Segundo porque as ruas já estão dizendo o que pensam da Casa. Ou melhor, do Congresso Nacional como um todo – Câmara e Senado. Só não enxerga quem não quer mesmo ver. Aliás, bom que se diga que a chamada pauta prioritária, segundo o site Congresso em Foco, estabelecida pelos presidentes da Câmara, e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), está fazendo deputados e senadores baterem cabeça para dar respostas à população após as recentes manifestações pelo país. Sob acusação de falta de coordenação e até de liderança, as duas Casas devem colocar em votação propostas com conteúdo similar, mas elaboradas por diferentes autores. Na prática, isso atrasa a tramitação e pode resultar numa demora maior para as mudanças entrarem em vigor.

Após os protestos, sequer houve uma pauta conjunta elaborada por Henrique Alves e Renan Calheiros, cada Casa fez a sua. Um exemplo é o projeto que torna a corrupção crime hediondo. Em 26 de junho, o Senado aprovou uma proposta, de autoria do senador Pedro Taques (PDT-MT). No entanto, o texto demorou para ser enviado à Câmara. Deputados, então, escolheram outro projeto, apresentado em 2009 pelo então presidente Lula, cuja urgência foi aprovada na terça-feira (2).

Além da falta de sintonia entre a Câmara e o Senado os parlamentares não enxergam que as reivindicações da sociedade urgem em medidas que contemplem sobretudo o dia-a-dia das pessoas, como a melhoria dos transportes público, a mobilização urbana, hospitais públicos de qualidade, assim como ensino público, moralização da coisa pública – como por exemplo o fim das regalias de políticos e ministros de Estado – e um basta na corrupção e na violência que impera no país.

Bom ressaltar também que o plebiscito proposto pela presidenta Dilma Ruosseff sobre reforma política é outro tema que vem desgastando a classe política de uma maneira geral, aí se inclui o governo e o próprio Congresso Nacional. O governo porque de certa forma está tentando desviar o foco das manifestações de rua colocando no colo do Congresso a responsabilidade de elaborar projetos para mudar o modelo eleitoral brasileiro que estão parados no Congresso há anos. E o Congresso porque as dificuldades em fazer o tema avançar no Legislativo vai além da inoperância dos articuladores políticos de Dilma Rousseff: os principais partidos do país têm posições (e interesses) distintos na reforma política. Essa é a realidade!

Ao invés dessa discussão de um plebiscito sobre reforma política, que já subiu ao telhado, o povo deveria ser ouvido, por exemplo, através de um plebiscito, sobre a redução da maioridade penal. Pesquisa realizada em São Paulo pelo Instituto Datafolha sobre o assunto revelou que 93% dos paulistanos são a favor. Enquete feita neste blog também reproduziu o pensamento dos meus leitores: 72% foram favoráveis a redução da maioridade penal. Está aí uma dica para o presidente da Câmara sugerir aos seus pares ao invés de querer saber o que o povo pensa sobre a Casa que dirige. Isso todos nós já sabemos, não precisa de uma pesquisa. As ruas falam por si, deputado!

Charge: S. salvador, no Estado de Minas

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