Ignorântsia, diria Seu Creysson
O jornalista Josias de Souza diz hoje em seu blog que está tirando folga para estudar a voz dos gabinetes. Diz ele num tom bem humorado – ou seria sarcástico? – que estará em “recesso branco” pelas próximas duas semanas. Afirma ele:
– Nada a ver com descanso. O signatário usará esse tempo para se dedicar em tempo integral ao estudo do idioma dos gabinetes. Planalto e o Congresso disseram ter ouvido com nitidez a voz das ruas. A julgar pelo modo como responderam, só há duas hipóteses: ou as autoridades e a rapaziada se desentendem na mesma língua ou os gabinetes se expressam num idioma que o asfalto desconhece.
E continua:
– Os russos criaram a palavra intelligentsia para designar sua elite intelectual. Ao observar os desdobramentos dos protestos do outono brasileiro, o repórter concluiu que, no seu caso, o termo mais adequado seria outro: ignorântsia. Em 15 dias, talvez consiga traduzir a língua dos gabinetes. Até lá, os leitores do blog ficam com o resumo do que dizem as ruas.
É isto, Josias de Souza sintetizou a voz dos gabinetes em Brasília: ignorântsia, como diria o personagem Seu Creysson do Caceta e Planeta, pois que os políticos continuam fazendo das suas. Veja só caro leitor:
Li hoje que três ex-senadores que ocupam atualmente cargo de ministros — dois no governo Dilma Rousseff e um no TCU (Tribunal de Contas da União) recebem aposentadorias do Senado tendo contribuído apenas por oito anos para o Plano de Seguridade Social dos Congressistas. Os pagamentos são bem maiores do que os benefícios pagos aos trabalhadores comuns, depois de 35 anos de contribuição ao INSS. O teto para um funcionário da iniciativa privada, pago pela Previdência Social, é de R$ 4.157 (brutos). Os ministros do Executivo recebem entre R$ 5.063 e R$ 11.452 em valores líquidos de aposentadorias do Senado, e mais o salário da atual função, R$ 19.833 em maio. O benefício é legal.
A título de exemplo, Ideli Salvatti, ministra de Relações Institucionais, recebe mensalmente R$ 5.063 líquidos como aposentada do Senado. Ela foi deputada estadual por dois mandatos em Santa Catarina e, depois, ficou oito anos no Senado, mas não contribuiu para o plano de previdência da Assembleia Legislativa de seu estado. Hoje, Ideli está sem mandato parlamentar.
Não quero nem entrar no mérito da farra dos jatinhos da FAB. Mas, ontem mesmo o Fantástico mostrou reportagem onde, por si só, se explica a revolta que tomou conta das ruas contra a classe política. Um deputado ensina como comprar votos e difamar adversários. Aelton Freitas é deputado federal pelo PR de MG e reuniu um grupo de políticos para dar ensinamentos sobre como uma fazer campanha eleitoral. Clique aqui [1] para ver o vídeo.
É como disse Ilmar Franco em artigo publicado ontem no Globo sob o sugestivo título “A massa na rua e as eleições”.
– Os deputados de todos os partidos estão mais preocupados do que de costume com as eleições de 2014. Os protestos ocorridos no Brasil são a razão de tanta inquietude.
E eu digo: A conferir!