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Editorial

Igreja não é palanque

Não se pode misturar religião com política. Essa mistura não faz bem tanto ao eleitor quanto ao político. Não entendi ainda o por que dos políticos insistirem nessa fórmula. Que aliás – não deveria – mas tem a conivência de alguns párocos de nossa aldeia. Escrevi aqui neste espaço que na noite do dia 24, véspera de Natal, a governadora do Rio Grande do Norte Rosalba Ciarini acabou passando por um constrangimento desnecessário.

Foi na Missa de Natal campal promovida pela paróquia de Santa Terezinha, no Tirol. O pároco já havia anunciado a presença da governadora. Até aí tudo bem, pois que Rosalba Ciarlini é católica, apostólica, romana, e nada mais natural do que participar de uma missa. O problema foi o local que ela usou para ler uma mensagem. Não houve vaias, é verdade, até porque não caberia naquele momento. Escalada  para falar antes mesmo do padre dar a bênção final, o constrangimento foi ainda maior. As pessoas começaram a se retirar em silêncio. Ela continuou a ler a mensagem para um público reduzido. Sorte da governadora que começou a chuviscar. E, claro, um argumento forte para explicar a debandada dos cristãos.

Mas de tudo isso vale a lição. Não se deve misturar as coisas. Igreja não é palanque nem padre pode se prestar a cabo eleitoral. Igreja é lugar de orações. Que a governadora fosse à missa pedir pelo seu governo que não anda bem avaliado, tudo bem. Mas daí a usar o microfone da Igreja para levar sua mensagem natalina aos fiéis não foi sem propósito a não ser querer conquistar a simpatia dos presentes. Até porque a governadora já fez veicular em rede de televisão sua mensagem de final de ano. Não tinha pra que repetir isso numa missa de Natal.

Com todo o respeito a governadora, mas ela abusou da inteligêcia das pessoas. Protesto maior e mais educado não poderia existir. A retirada dos fiéis antes mesmo de receber a bênção final demonstrou claramente que os presentes não concordavam com o que estavam vendo.

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