Impeachment à moda paraguaia
Um impeachment agora às vésperas de uma eleição, como está propondo a bancada de oposição à prefeita Micarla de Souza (PV) na Câmara Municipal de Natal, sinceramente, não acredito que vingue. Os argumentos até que procedem – descumprimento dos repasses constitucionais para manutenção da educação e a Operação Assepsia, do MP, que apura supostas fraudes praticadas nos contratos de gestão compartilhada da Secretaria Municipal de Saúde com organizações sociais.
A decisão sobre a abertura do processo só se dará na próxima semana em sessão prevista para a terça-feira (3). Subscrevem a ação os vereadores Júlio Protásio (PSB), Franklin Capistrano (PSB), Júlia Arruda (PSB), Luiz Carlos (PMDB), Fernando Lucena (PT), Sargento Regina (PDT), Raniere Barbosa (PRB) e Adão Eridan (PR).
Ressalte-se que em dezembro do ano passado, pelo mesmo motivo, um pedido de impedimento da prefeita chegou a ser apresentado, mas foi derrubado no plenário porque não alcançou o quórum necessário para abertura do processo, que é de 11 votos.
Acho pouco provável que o processo de impeachment de Micarla de Sousa saia do papel. Até porque não haveria tempo suficiente para isso. A não ser que se tente fazer como ocorreu no Paraguai, que em 24 horas o presidente Fernando Lugo foi impedido de governar o país como queria a oposição ao seu governo.
Diria que se isso ocorrer é um impeachment paraguaio.
Outro aspecto a ser analisado é que em um ano de eleições os vereadores não vão querer se comprometer em se deter num processo de impeachment, pois que, como já disse, demanda tempo e dedicação. Acho que isso é mais uma oportunidade para deixar Micarla na defensiva, depois do seu pronunciamento em que anunciou que não será mais candidata à sucessão, mas acabou jogando merda no ventilador da dupla Carlos Eduardo Alves/Wilma de Faria, o primeiro candidato a prefeito e a segunda a vice.