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Editorial

`Intolerância’  em confronto com a liberdade de expressão

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta terça-feira no Rio de Janeiro, que há no país “uma intolerância enorme para tudo o que seja diferente” e que “não adianta querer ser livre e abrir mão de pensar”.

– Temos um Estado democrático, mas a pergunta é se temos uma sociedade tão democrática quanto a Constituição pressupõe. Hoje noto uma intolerância enorme para tudo que seja diferente, é uma tragédia para a democracia e o exercício da liberdade. Não adianta querer ser livre e abrir mão de pensar.

Está certíssima a ministra Carmem Lúcia. Basta entrar nas redes sociais para se observar que existe intolerância no pensamento dos contrários. Para os intolerantes discordar é uma palavra que não existe no dicionário deles. Certa vez um deputado estadual no Rio Grande do Norte – Márcio Marinho, já falecido – disse que a democracia é a convivência dos contrários. Pois muito bem: no mundo de hoje não é isso o que se verifica, sobretudo nas redes sociais.

Já fui vítima disso e posso falar com conhecimento de causa. Fui chamado de nazista, reaça e até de arrogante por discordar de certos pensamentos. As pessoas que acham que só o pensamento delas deve prevalecer, estas sim, se olharem no espelho verão refletir a imagem de um verdadeiro reacionário. É como bem disse a ministra Carmem Lúcia: ” não adianta querer ser livre e abrir mão de pensar”.

Observo que as redes sociais, que deveria a priori ser um canal de discussão, de troca de ideias e até de informações, muitas vezes se transformam num verdadeiro campo de batalha, tal a intolerância de alguns. Às vezes me esquivo de participar de certos “debates” por não concordar com esse tipo de comportamento onde as pessoas não respeitam o pensamento dos outros. Discordar faz parte da democracia, o que muitos não entendem.

Infelizmente a intolerância está levando ao confronto com a liberdade de expressão. Hoje se você discorda de um pensamento de alguém corre o risco de ser agredido verbalmente nas redes sociais. Isso não é democracia. E aí volto a repetir a ministra do Supremo:

– Temos um Estado democrático, mas a pergunta é se temos uma sociedade tão democrática quanto a Constituição pressupõe.

Pensemos nisso!

 

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