Je Suis hipócritas!
`Cristofobia´pode virar crime hediondo. Reação a manifestação em Parada Gay, proposta aumenta para até oito anos de reclusão a pena do crime de “ultraje a culto”. Atualmente, o Código Penal prevê um mês a um ano de detenção, além de multa. Se o crime for classificado como hediondo, o autor não poderá ser liberado mediante fiança. Projeto recebe amplo apoio de lideranças partidárias, inclusive do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é evangélico.
O projeto, de autoria do deputado Rogério Rosso (PSB-DF), foi apresentado depois que a modelo transexual Viviany Beleboni desfilou seminua em uma cruz, em referência a Jesus Cristo, durante a Parada Gay de São Paulo. Uma placa acima de sua cabeça carregava a frase “basta de homofobia com GLBT”.
Entenda-se por cristofobia, de acordo com quem utiliza o termo, uma espécie de aversão a preceitos e práticas cristãos, em que eventuais detratores dispensariam a religiosos o mesmo tratamento – a “homofobia” – dado a homossexuais por parte dos chamados homofóbicos.
Pronto, agora o confronto está caracterizado entre a “cristofobia” e a “hemofobia”. Vamos ter na Câmara agora a bancada “Cristofóbica e a bancada “Homofóbica”. Sinceramente, senhores deputados, com todo o respeito aos diferentes pensamentos e gêneros, acho que a Câmara tem assuntos mais importantes para serem discutidos, como a reforma política que ao que parece não passará de um arremedo.
Não estou aqui defendendo a modelo transsexual Viviane Beleboni que teve os seus 15 minutos de fama na Parada Gay, cometendo até uma “blasfêmia”, alguns diriam, nem muito menos os homofóbicos. Ambos estão errados. O respeito as diferenças é primordial.
“Atualmente, muito se fala sobre a igualdade social, a igualdade de nossos direitos. De fato é um direito de todos. Deveríamos ter os mesmos direitos à saúde, educação, alimentação e cultura. Entretanto o que percebemos é que muito se fala sobre o direito a igualdade e nos esquecemos do respeito às diferenças.
Na verdade, somos todos diferentes. Cada indivíduo com suas peculiaridades, raça, credo, política, valores e costumes. Somos um povo diferente e, portanto, precisamos conviver com as diferenças da melhor forma possível. O respeito ao outro e as suas peculiaridades é fundamental, pois através deste respeito temos a possibilidade de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa.
Assim sendo, cada vez mais, a sociedade deve concentrar forças para a difícil tarefa de ofertar uma educação justa, de qualidade e que respeite as diferenças de cada sujeito. Toda instituição de ensino é um espaço onde se encontra uma das maiores diversidades culturais, precisamos aproveitar este espaço para construirmos problematizações que nos levem ao estudo das diferenças e ao direito de igualdade social de todos.”
Emily Christmann
Não custa lembrar que o termo diversidade diz respeito à variedade e convivência de idéias, características ou elementos diferentes entre si, em determinado assunto, situação ou ambiente.
Está ligada aos conceitos de pluralidade, multiplicidade, diferentes ângulos de visão ou de abordagem, heterogeneidade e variedade. E, muitas vezes, também, pode ser encontrada na comunhão de contrários, na intersecção de diferenças, ou ainda, na tolerância mútua.
Daí dizer Je Suis hipócritas!
Traduzindo: somos todos hipócritas.