Jornalista tem de ser crítico até na pergunta, foi o que fez Robson Carvalho
Aprendi nos anos de convivência com Alfredo Lobo, de saudosa memória, quando trabalhamos juntos no extinto Diário de Natal, que jornalista tem de ser crítico até na pergunta. Pois foi o que fez Robson Carvalho na última quarta-feira ao entrevistar o candidato a governador do Rio Grande do Norte, presidente da Câmara Henrique Alves (PMDB), ao indagar a ele sobre o acordão unindo no mesmo palanque Alves, Maia e Faria (Wilma de Faria). Henrique não gostou e insinuou que alguém teria escrito a pergunta para ele – Robson – ler. Muitos interpretaram com uma indelicadeza de Henrique Alves.
Agora a assessoria do candidato, segundo publicou o jornalista Ricardo Rosado em seu blog, diz que o jornalista Felinto Rodrigues, proprietário da Rádio 98 FM, emissora a qual o candidato do PMDB foi entrevistado “considera uma “infâmia” as insinuações de que o candidato a governador Henrique Alves tenha sido deselegante durante a entrevista”.
A nota da assessoria diz ainda que “o jornalista – Felinto Rodrigues – elogiou a postura de Henrique, o seu desempenho e disse que vai abrir o programa segunda-feira – Repórter 98 – esclarecendo o caso e desmentindo qualquer problema”.
Ora,ora,ora. Quem ouviu a entrevista como eu percebeu claramente que Henrique Alves não gostou da pergunta feita por Robson Carvalho e que o próprio Felinto Rodrigues tentou evitar embaraços para Henrique e acabou fazendo um aparte no meio da resposta, o que fez o presidente da Câmara dizer que na política do Rio Grande do Norte não há mais espaço para o radicalismo e nem discurso de retrovisor.
Henrique Alves foi sim deselegante com Robson Carvalho. Cabia ao parlamentar apenas responder a pergunta com argumentos que pudessem convencer o jornalista e principalmente o eleitor de que a aliança feita por ele vai “salvar” o Rio Grande do Norte, quando o repórter insistindo na pergunta indagou: “salvar o quê e de quem? “. O que fez o presidente da Câmara dizer que prefere acordão do que desacordão.
Pois é, Alfredo Lobo tinha razão quando disse pra mim que jornalista tem de ser crítico até na pergunta. Quando se faz uma pergunta embaraçosa certamente essa pergunta tem um tom crítico e foi isso que Robson Carvalho fez.