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Editorial

migueljcLava-Jato: quem não deve não teme

Diz um adágio popular que quem não deve não teme. Pois muito bem: Os políticos delatados pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa à Polícia Federal, num suposto esquema de recebimento de propinas na estatal, alegam que as denúncias são vazias e sem provas. Hoje, o jornalista Cláudio Humberto em sua coluna Diário do Poder diz, no entanto, o seguinte:

– Além de entregar, um a um, os políticos que receberam dinheiro sujo do esquema de corrupção, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa ofereceu aos investigadores, em seus depoimentos, indícios e até provas dos pagamentos de propina. São anotações detalhadas de datas, locais, quantias e até números de contas bancárias no exterior, onde os destinatários preferiam receber a grana roubada da estatal. 

Se as denúncias como dizem os políticos supostamente envolvidos no Propinobrás “são vazias e sem provas”, não há o que temer. Contudo, a Polícia Federal já está de posse, e com provas, conforme relata Cláudio Humberto, sobre o que ocorreu nos bastidores da estatal do petróleo. As anotações detalhadas do ex-diretor da Petrobras já em mãos da PF fede a petróleo queimado.

Aliás, o odor de petróleo queimado parece se estender ainda mais. A Polícia Federal encontrou no escritório da contadora Meire Poza documentos que revelam as conexões entre duas quadrilhas flagradas em escândalos de desvio de recursos públicos nos últimos anos, segundo a edição do jornal O Globo desta segunda-feira (15). De acordo com a reportagem, contratos, notas fiscais e extratos bancários que estavam com a contadora mostram que uma empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef, a RCI Software, manteve negócios com outra empresa de fachada que atuava no esquema operado pelo bicheiro Carlos Cachoeira, a Alberto & Pantoja. 

Portanto, não será por falta de provas que a delação de Paulo Roberto Costa poderá ser desqualificada. Já se fala num elo entre o Mensalão e a propina da Petrobras. Na semana passada a revista Época, por exemplo, citou em reportagem que o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, de 44 anos, ex-braço direito do doleiro Alberto Youssef, deu um depoimento à Justiça Federal de Curitiba. Época publicou com exclusividade um vídeo com trechos do depoimento, prestado em 29 de agosto. No vídeo, Carlos Alberto narra a atuação de Youssef em dois momentos: durante o mensalão, em 2005, e durante o pagamento de propina em troca de negócios da Petrobras, em 2013 – o escândalo de R$ 10 bilhões investigado pela operação Lava Jato. Assim, o depoimento de Carlos Alberto confirma qual é o elo perdido entre os dois escândalos  – e ele se chama Alberto Youssef. 

Na quarta-feira (17) Paulo Roberto Costa terá a oportunidade de reafirmar o que disse à Polícia Federal em depoimento na CPI mista da Petrobras, com a presença da imprensa. Poderá ficar calado se quiser, é verdade, mas também poderá confirmar tudo que já disse na delação premiada. Usando outro ditado popular, a cobra vai fumar.

A conferir!

Charge: Miguel, no Jornal do Commércio (PE)

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