Lava-Jato: siga o rastro do dinheiro
Siga o dinheiro” foi o conselho dado por fonte aos jornalistas Carl Bernstein e Bob Woodward (interpretados no cinema por Dustin Hoffmann e Robert Redford, veja foto) no filme “Todos os Homens do Presidente” que retratava na tela o Caso Watergate, que levou o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon a renunciar após ser reeleito.
E o que foi o Watergate? Foi a invasão aos escritórios do Partido Democrata americano em Washington, no conjunto de edifícios Watergate. O incidente aconteceu em 1972 e, após dois anos de investigação, culminou com a renúncia do presidente Richard Nixon. A invasão rolou durante a campanha eleitoral e, mesmo com evidências ligando o episódio ao comitê de Nixon, o presidente foi reeleito com larga margem de votos.
Pois é: se houver mesmo interesse de se investigar a fundo o escândalo da Lava-Jato que levou o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa a optar pela delação premiada à Polícia Federal, delação essa relatada pela revista Veja na semana passada, não sobrará pedra sobre pedra principalmente no Congresso Nacional. E para isso basta seguir o rastro deixado pelas malas de dinheiro que entravam e saiam do escritório do doleiro Alberto Youssef. Pelo o pouco que já veio à tona o rastro do dinheiro tem muitas ramificações. Não à toa que a classe política principalmente caciques do PMDB, maior e mais rico partido do Brasil, e alguns parlamentares do PT estão em polvorosa. Brasília, pode-se dizer, é hoje um barril de petróleo pronto a explodir.
Posso até me equivocar, mas com toda certeza o escândalo envolvendo a Petrobras terá reflexos nas eleições deste ano. Algumas das figuras mais influentes da República, como o presidente da Câmara, Henrique Alves, que disputa pela primeira vez o governo do seu estado, o Rio Grande do Norte, e que foi citado na delação de Paulo Roberto Costa à PF por estar supostamente envolvido no caso, é um dos que podem ser prejudicados pelo escândalo que abalou a capital da República.
A menos de 20 dias para o pleito e mesmo estando na frente das pesquisas de intenção de voto, Henrique que já tem uma rejeição alta pode sofrer as consequências das denúncias nas urnas, até porque até as eleições, se for inocente como diz ser, não terá tempo hábil para tentar provar isso. E as urnas são cruéis neste ponto.
Fato é que o rastro do dinheiro num futuro, que espera-se esteja próximo, dirá quem é inocente e quem é culpado neste episódio que maculou mais uma vez a imagem já tão desgastada da classe política. Os denunciados na delação premiada em notas distribuídas à imprensa tão logo a reportagem da Veja foi divulgada, em momento algum disseram que iriam processar Paulo Roberto Costa, o delator, por calúnia e difamação, apenas tentaram desqualificar as denúncias feitas. Portanto, vamos aguardar novos fatos ou novas revelações.
A conferir!
Foto reproduzida da Internet