Limpeza ética
Num país em que a palavra ética parece ter sido abolida do dicionário, a Operação Hipócrates, desencadeada pelo Ministério Público e Polícia Civil do Rio Grande do Norte, com o objetivo de desbaratar a prática de crimes contra a administração pública e contra a ordem econômica, em decorrência da fixação abusiva de preços e do controle regionalizado do mercado de médicos, parece servir de exemplo para que se acredite que ainda existe uma luz no fim do túnel.
Saliente-se que as investigações do Ministério Público foram iniciadas ainda em 2009 com o auxílio da Polícia Civil e do corpo técnico do Tribunal de Contas do Estado, chegando a conclusão de que uma empresa vinha, ao longo dos últimos anos, adotando práticas para monopolizar o mercado local de neurocirurgia, impondo condições excessivamente onerosas ao estado.
Espanta é ver, como vi, nas redes sociais, pessoas acreditarem que não havia cartel na neurocirurgia do Rio Grande do Norte. Ora, venhamos e convenhamos. Uma única empresa ditando as regras do mercado em contratos para com o estado isso pode ser chamado de que? Livre mercado? Certamente que não, caro leitor.
Limpeza ética é o que se está precisando fazer no poder público. O Ministério Público está dando um paço importante, resta aos entes públicos, gestores principalmente, seguirem este caminho. Não à toa o povo clama nas ruas por isso. As batidas de panelas, mesmo nas varandas gourmets, sinalizam para isso também.
Não sei o que é pior, se a prática de cartel ou chamar de procedimento criminal instaurado em seu desfavor, como se refere a empresa em questão a atuação do Ministério Público.
Com a palavra, o leitor!