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Editorial

[1]Micarla e a `matilha de lobos famintos´

Se as lágrimas da prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV) ao discursar para uma plateia composta de auxiliares e jornalistas para informar que não seria mais candidata à reeleição foram de crocodilo não sei, mas que ela deixou um recado aos seus opositores e principalmente ao seu desafeto político, ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), candidato novamente a prefeito da capital potiguar, e à ex-governadora Wilma de Faria (PSB), ah, isso ela deixou.

O primeiro recado foi direto as oligarquias quando disse ser “uma mulher, sem sobrenomes tradicionais da política” no Rio Grande do Norte, “a única que conseguiu romper esta barreira vista como intransponível; uma simples Sousa”, ressaltando ser filha de Miriam e Carlos Alberto (de Sousa), ex-senador já falecido.

O segundo e mais duro recado foi para Wilma de Faria e Carlos Eduardo Alves, ambos formando chapa para concorrer a sucessão municipal – Carlos na condição de candidato a prefeito e Wilma sua vice. Micarla disse que sua gestão fora voltada principalmente para a população, “em especial a mais humilde e esquecida pelos governos que me antecederam”.

– Decidi governar para as pessoas, pelas pessoas. Pela gente da minha terra. Para os invisíveis perante os poderosos. Enxergando o povo como cidadão, não como massa de manobra em tempo de eleição.

Ao alfinetar Carlos Eduardo Alves, a alcaidessa afirmou que “hoje, viramos a página de um passado onde medicamentos eram jogados no lixo aos milhões, e médicos não faziam parte do dia-a-dia dos postos de saúde das regiões mais humildes”. E completou:

– Na saúde, ainda criamos o conceito da logística no armazenamento e entrega dos nossos medicamentos. Remédio jogado no ralo não mais faz parte da nossa realidade. E eu agradeço a Deus por não me fazer viver uma tristeza como essa.

Sobre Wilma de Faria, a prefeita Micarla de Sousa também não deixou por menos:

– Sei que alguns me criticam duramente pela minha opção em cuidar de gente. Dizem que prefeito bom é o que calça ruas e maqueia a cidade com florzinhas plantadas nos canteiros. Eles chegam até a comparar. Fulano calçou tantas, sicrana outras tantas. E você, Micarla, quantas ruas calçou e asfaltou? Não. Eu não aceitei o desafio de ser prefeita da minha cidade para calçar ruas. Aceitei para calçar vidas . E isto sei que fiz. Quantos jovens, quantas crianças, quantas mães e pais de família hoje tem sua vida transformada através da educação , da qualificação profissional e da saúde oferecidas pela minha gestão?

– Não me arrependo de nada que fiz, nem das decisões que tomei. Troquei asfalto por escolas, sim. Troquei calçamento por Upas e AMEs. Troquei concreto armado por Albergue para moradores de rua.

– Faria tudo de novo.

– Continuaria sem me render aos grupos poderosos desta cidade, que foram contrários a esta política de libertar as pessoas através da educação e da melhoria de vida. Os mesmos que como uma verdadeira matilha de lobos famintos querem comer as carnes do nosso povo mais uma vez. Políticos profissionais, que nunca tiveram a carteira de trabalho assinada na vida e que agora viram os seus dedos e mãos sujas em minha direção.

– Eu tenho minhas mãos limpas. Não respondo processo por superfaturamento de obras nem por pegar levianamente dinheiro dos nossos aposentados e pensionistas. Na minha família todos trabalham dignamente. Sempre foi assim. Ninguém é acusado de desviar dinheiro público e eu nunca tive a tristeza de ver um dos meus familiares atrás das grades. Armaram comissão de investigação contra meu governo e o que descobriram é que aqui tem uma mulher que tem vergonha na cara e que não está na prefeitura para se servir, e sim para servir.

O que se observa no discurso de Micarla é que ela não precisou de palanque nem do programa eleitoral gratuito para jogar merda no ventilador de Carlos Eduardo Alves e Wilma de Faria. Deu o recado não numa coletiva de imprensa, mas num pronunciamento por escrito que deixou nas entrelinhas tudo que gostaria de dizer numa eventual campanha à sucessão, e que acabou dizendo. Se queimou o filme de Carlos Eduardo Alves e de Wilma de Faria, não se sabe, mas o objetivo foi esse. A conferir!

*Foto: Canindé Soares
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