Nuvens sombrias sobre Brasília
Ontem postei aqui neste espaço um artigo do jornalista Mino Carta publicado na revista CartaCapital, onde ele demonstrava uma certa preocupação com o segundo governo da presidenta Dilma Ruosseff. Dizia Mino Carta:
– A torre de babel, emblema de uma ciclópica confusão, vale como metáfora da situação do Brasil neste exato instante. Vejamos. O PT em frangalhos a amargar uma monumental derrota parlamentar que entrega ao PMDB o comando do Congresso, com risco imponente para a continuidade do governo de Dilma Rousseff. O PSDB de Fernando Henrique a adubar a ideia do golpe via impeachment. O ajuste fiscal em pleno andamento com a tola promessa de ser pequeno enquanto o desemprego cresce e a recessão bate às portas. A Petrobras em crise aguda enquanto o juiz Moro estende o raio de ação da Operação Lava Jato em busca do epicentro da corrupção além das fronteiras da empresa petrolífera, nas próprias entranhas do poder. A iminência do drástico racionamento da água em São Paulo, ao passo que outros pontos cruciais sofrem a ameaça de serem logo engolidos pela calamidade. E a crise energética próxima da eclosão.
Adiante Mino Carta relatava:
– A presidenta age tardiamente ao exonerar a diretoria da Petrobras em peso. De fato, poderia ter tomado a decisão logo após a eleição, de sorte a evitar um desgaste ulterior. Passado pouco mais de um mês desde a posse, o governo parece carregar nos ombros a maldição de um longo percurso medíocre, quando não francamente malsucedido. Houvesse uma pesquisa, e fácil imaginá-la negativa para a presidenta. De agora em diante, ela não pode mais errar e sua chance é de tempo curto e ação imediata.
Mino Carta tem isenção para falar sobre o assunto, até porque, a revista – CartaCapital -, onde ele é um dos sócios, defendeu abertamente em Editorial a candidatura de Dilma Ruosseff à reeleição. Portanto, merece todo o crédito o que ele diz a respeito do momento político que o Brasil atravessa.
De fato, desde Fernando Collor – que sofreu impeachment – que o nosso país não enfrentava momentos tão tenebrosos. Para ilustrar o que digo, hoje cedo na fila do supermercado ouvi atentamente – sem querer, claro, mas como a conversa rolava aos ouvidos de quem estivesse próximo – a confabulação de dois senhores. Um de meia idade e outro já idoso.
Um deles dizia:
– A coisa está ficando feia pros lados da presidente!
O seu interlocutor respondeu:
– Ainda bem que não votei nela.
Volta a palavra para o primeiro que afirma:
– Isso é culpa da gente.
O segundo volta a resmungar:
– Da gente não porque eu nunca votei no PT
O primeiro:
– Quando digo da gente falo do povo do Nordeste que votou nela
O segundo:
– Quero ver depois do Carnaval. Agora não porque o brasileiro vai esquecer por um momento. Mas depois do Carnaval você vai ver as manifestações nas ruas.
O primeiro:
– É mesmo, com tudo subindo, gasolina, energia, esse escândalo da Petrobras (…) que ela – a presidente – tirou a Forster mais colocou no lugar dela um outro igual (…)
Logo em seguida chegou a minha vez de ir ao caixa e não deu mais para apurar o restante da conversa.
Fato é que a oposição junto com a parte do PMDB que não admira muito a presidenta Dilma, vão fazer com que estas nuvens sombrias sobre Brasília virem uma tempestade, o que não é nada bom para o país que já enfrenta uma série de crises.
A conferir!