O “Bolsa Cafezinho” do Senado
Quero participar também do “Bolsa Cafezinho” do Senado, afinal a Casa publicou edital que prevê gastos de R$ 375 mil para abastecer por um ano o chamado “cafezinho do Senado”, localizado no plenário da Casa, e que serve lanches para senadores, assessores e convidados. O edital prevê a compra de 2 mil pacotes de biscoito, mais de 8 mil frascos de adoçantes, 4.800 quilos de presunto e queijo, 2 mil pacotes de pão de forma, além de 2 mil litros de leite, chás e sucos, entre outros itens. Os gastos com o lanche dos senadores e seus convidados tem custo mensal previsto de R$ 31,2 mil.
Como cidadão brasileiro, eleitor e contribuinte, acho que tenho o direito ao “Bolsa Cafezinho” do Senado. Aliás, eu só não, todos os brasileiros. Isso é brincadeira, R$ 375 mil/ano para bancar o lanchezinho dos pobres senadores, que saem de casa sem ao menos tomar o café da manhã, supõe-se. Isso sem falar no auxílio-moradia e os custos com despesas médicas e passagens aéreas, também, claro, pagos pelo contribuinte que o ajudou a eleger eles.
Não sem razão o saudoso senador do Rio Grande do Norte, Agenor Maria, disse certa vez que o Senado era o Céu. Aliás, quem entra lá não quer sair mais. Veja o caso de José Sarney (PMDB-MA), por exemplo. Já virou patrimônio histórico e cultural do Senado, tamanho o tempo que está na Casa. Também pudera, com o “Bolsa Cafezinho” e todas as regalias que o Senado lhe dispõe, quem não quer?
Difícil entender é que enquanto milhões de brasileiros saem de suas casas de madrugada para a labuta, sem ao menos ter direito a um pão adormecido com manteiga e um cafezinho, os nossos senadores se dão ao luxo do “Bolsa Cafezinho” que custa a bagatela mensal de 31,2 mil, dinheiro esse que, claro e óbvio, não sai do bolso deles. E ainda dizem que quem ganha o Bolsa Família não quer mais trabalhar. O que dizer então dos nossos senadores que só têm três dias de “trabalho” por semana?
Mas voltemos ao “Bolsa Cafezinho” do Senado. Isso é um acinte ao trabalhador brasileiro. Imagine, caro leitor, 8 mil frascos de adoçante, 4.8oo quilos de queijo e presunto que se não forem consumidos dentro do tempo previsto vai à lata do lixo. Absurdo, uma verdadeiras provocação ao trabalhador brasileiro.
O detalhe é que depois de procurado pela Folha – jornal que trouxe à tona o assunto –, o Senado informou que vai “readequar” o edital porque há “divergência” entre o atual contrato que está em vigor e a última compra feita, no ano passado. O valor do edital de 2012 foi de R$ 212,8 mil e o Senado informou que até agora já gastou R$ 126,3 mil com a compra de produtos. Por isso, segundo a Casa, o novo edital será reavaliado embora o resultado do pregão já tenha sido divulgado. Na Câmara, os deputados pagam pelo lanche consumido dentro do “cafezinho” do plenário desde que a Casa terceirizou o espaço e o cedeu para uma empresa do ramo alimentício.