O brasileiro ainda é um conservador
Enquete realizada pelo blog sobre se o leitor estava de acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal de legalizar o aborto de feto anencéfalo, revelou que o brasileiro ainda é um conservador. Para 58% das pessoas que responderam a enquete, o aborto, mesmo que seja de um feto que sabe-se não sobreviverá, não deve ser permitido. Ou seja, quase 60%.
Não se concebe uma mãe não ter o direito sobre o seu próprio corpo e decidir se quer ter um filho mesmo que já condenado a morrer poucas horas após o parto. Não se trata aí de uma questão religiosa, mas de saúde. A decisão do Supremo, a meu ver, foi corretíssima. E digo mais: já entrou na pauta da Corte outro assunto polêmico. A liberação do aborto. Também sou favorável.
Sei que é um tema polêmico, mas é preciso acabar com esse conservadorismo principalmente quando se trata de uma decisão que deveria caber única e exclusivamente à mulher. Tanto no caso do feto anencéfalo quanto no caso de um feto fertilizado sem o desejo da mãe, me parece, são decisões unilaterais. É preciso entender que a mulher é dona de seu próprio corpo, e como tal tem ou pelo menos deveria ter o direito sobre ele.
Esse tabu do aborto precisa acabar. Como disse, não se trata de uma questão religiosa, mas de saúde. O aborto no Brasil é proibido, mas quantas mulheres não apelam para clínicas ou parteiras clandestinas para interromper uma gravidez indesejável? Clínicas ou parteiras essas que em muitos casos, senão em todos eles, não tem a menor preocupação com a higienização dos instrumentos cirúrgicos pondo em risco a vida da paciente.
Essa discussão não acabará tão cedo, mas já é hora de renovarmos nossos conceitos sobre determinados temas polêmicos, afinal a mulher hoje já conquistou a sua independência. É hora dela poder decidir também sobre o seu próprio corpo.