O Congresso e os quatro cavaleiros do apocalipse
A despeito das denúncias contra o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), candidato favorito à presidência da Câmara, e contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), candidato à presidência do Senado, ouso dizer que os dois serão eleitos. E por que digo isso? Porque o governo Dilma, assim como foi o governo Lula, é refém dos peemedebistas e fará de tudo para elegê-los.
O discurso da governabilidade vem desde o primeiro governo petista quando Lula, ao estourar o escândalo do mensalão ficou nas mãos de José Sarney, atual presidente do Senado. E aí entra os quatro cavaleiros do apocalipse encarnado nas pessoas do próprio Sarney, Renan Calheiros, Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que deverá ser escolhido líder da bancada do PMDB na Câmara.
Prova maior do que estou dizendo é que hoje o Correio Braziliense noticia que o Palácio do Planalto se rendeu à possibilidade de Eduardo Cunha ser escolhido líder da bancada na Casa. No entanto, os aliados do parlamentar fluminense tiveram que garantir ao vice-presidente Michel Temer, durante café da manhã ontem, que Cunha não vai ser oposição ao governo. Alegaram que ele não teria condições para isso, que não encontraria companheiros para a empreitada oposicionista e que seria uma besteira contrariar o Planalto. Temer exigiu fidelidade. Afinal, ainda está clara na mente de Dilma Rousseff e do PT o estrago que o deputado fez ao relatar a CPMF em 2007.
Comandando uma bancada de 78 deputados, profundo conhecedor do regimento e com poderes para distribuir relatorias de projetos e MPs entre correligionários, a ameaça que Eduardo Cunha pode representar aos interesses do Executivo não é pequena. A fidelidade ao governo teve que ser reafirmada. No gabinete presidencial, o recado chegou com rapidez. Se Temer conseguiu garantir a unidade do partido no Congresso, Dilma, por uma simples razão de pragmatismo político, não teria razões para manter o veto ao parlamentar fluminense.
É como digo: enquanto não houver uma reforma política séria e descomprometida o argumento da governabilidade vai prevalecer entre os governantes de plantão. E quem ganha com isso. Os partidos que detém as maiores bancadas no Congresso Nacional, caso do PMDB. As alianças partidárias giram primeiro em torno de um maior espaço no programa eleitoral. Depois, em torno da “governabilidade”. E é aí que mora o perigo. Se não houver apoio no Congresso Nacional dos partidos que formam um governo, a tal governabilidade vai por água abaixo. E aí não se vota nenhuma matéria de interesse do governo.
Portanto, podem está certo, caro leitor, independente das denúncias Renan Calheiros deverá ser novamente presidente do Senado, Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara e Eduardo Cunha líder da bancada do PMDB na Casa. E não adianta a imprensa nacional vasculhar mais denúncias contra estes parlamentares. Quem vota não é o povo, neste caso, quem vota são eles, os parlamentares. Daí…. A Conferir!