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Editorial

O “deputado Cândido Peçanha” incomodou a Câmara

Cândido Peçanha é um personagem criado pelo juiz de direito Marlon Reis para o livro “O Nobre Deputado” que serviu de pauta para uma reportagem do Fantástico no último domingo.

Para o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN) a reportagem divulgada no Fantástico “desestimula o exercício da cidadania e, ao contrário do objetivo veiculado, reforça a ideia de que a política de nada serve à população brasileira”.

O livro é, segundo Reis, baseado em relatos de assessores e de um ex-deputado e denuncia práticas do meio político a partir de um personagem fictício criado pelo juiz. A reportagem afirma que parlamentares desviam dinheiro das emendas parlamentares para custear as campanhas políticas.

Nesta terça-feira no plenário da Câmara, Henrique Alves anunciou que vai enviar ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) uma representação contra o juiz Márlon Reis, autor do livro que baseou a reportagem. Alves também defendeu a aprovação do projeto sobre o direito de resposta (PL 6446/13). Talvez tivesse sido melhor não falar nada, até porque a matéria nem teve tanta repercussão assim.

Nunca na história da Câmara um deputado, embora que fictício, incomodou tanto a classe política, sobretudo os nobres parlamentares. Nem mesmo os que já foram cassados nem os que ainda estão por ser julgados, caso do ex-vice-presidente da Casa, André Vargas (sem partido), acusado de envolvimento com o doleiro preso pela Polícia Federal  Alberto Yousseff.

O presidente da Câmara ressaltou em sua fala que as denúncias verdadeiras mostradas na reportagem – o desvio de verbas de merenda escolar e de asfaltamento – não podem ser atribuídas ao Congresso Nacional. Ele disse ainda que a liberação de emendas parlamentares é responsabilidade exclusiva do Poder Executivo federal.

Bola na caçapa: Alves reconheceu que há desvio de verbas, mas excluiu toda e qualquer responsabilidade dos congressistas e jogou o abacaxi no colo do governo.

As ações do presidente foram apoiadas pelos demais deputados em Plenário, que também sugeriram outras providências.

A líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), sugeriu que o presidente da Câmara faça um pronunciamento em cadeia nacional para defender o Parlamento.

Bola fora: se Henrique Alves fizer isso chamará mais atenção ainda sobre o incômodo causado pelo “deputado Cândido Peçanha”, até porque, como o próprio presidente da Casa reconheceu algumas verdades foram ditas na reportagem, caso das emendas parlamentares, embora ele (Henrique) tenha livrado o Congresso das responsabilidades.

Fato é que “Cândido Peçanha” incomodou os congressistas e só não o levam à Comissão de Ética porque se trata de um personagem fictício.

 

 

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