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Editorial

clayton (2)O “homem-bomba” e as relações institucionais

O que mais tem-se ouvido falar desde sábado, depois da reportagem de capa da revista Veja relatando as denúncias do “homem-bomba” Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, sobre as tenebrosas transações feitas na estatal para beneficiar partidos e políticos, é que as relações entre o delator do esquema e os políticos denunciados eram exclusivamente institucionais. Ah, sei!

Ao menos isso é o que ficou registrado nas notas dos políticos envolvidos tentando justificar suas relações com Paulo Roberto Costa. Os citados pelo delator como beneficiários do esquema são: o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, do PMDB do Maranhão; o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, do PMDB, atual candidato ao governo do Rio Grande do Norte; o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas; os senadores Ciro Nogueira, do PP do Piauí, e Romero Jucá, do PMDB de Roraima.

Fala-se que da relação levada à delação premiada existem mais políticos e que apenas os nomes acima foram citados pela reportagem de Veja. E daí? Certamente o restante faz parte da arraia-miúda que também mantinha “relações institucionais” com o ex-diretor da estatal do petróleo. Mas como disse o jornalista Claudio Humberto hoje em sua coluna, Diário do Poder, “com policiais, procuradores e servidoras digitando tudo freneticamente, será inevitável o vazamento de mais nomes delatados pelo ex-diretor”.

Fato é que os denunciados no esquema vão tentar de todas as formas possíveis desqualificar o depoimento de Paulo Roberto Costa. No entanto, pesa a seu favor na delação premiada os arquivos recuperados pela Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo contra Paulo Roberto Costa e um dos poucos sujeitos no país que acompanhou e conhece cada detalhe das revelações feitas por Costa ao Ministério Público. 

Seria burrice e até mesmo infantilidade do ex-diretor de Abastecimento – até o nome do cargo que ocupava é sugestivo – da estatal ter mentido sob pena de não ser beneficiado com a delação premiada. Portanto, difícil de acreditar que os envolvidos tenham tido apenas uma relação institucional com ele. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, tudo indica, teve uma relação além de institucional com políticos, diria até uma relação de “abastecimento”, que não era de petróleo, certamente.

Charge: Clayton, em O Povo (CE)

 

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