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Editorial

O jornalismo de notas e de redes sociais

Quando iniciei no jornalismo e isso já se vão longos 30 anos, não existia internet para agilizar o nosso trabalho. O repórter para colher uma notícia tinha que ir aonde o povo estava, como diz aquela música de Milton Nascimento. Notas para justificar uma denúncia ou seja lá o quê, nada disso. O correto era ouvir a resposta de quem fora denunciado, seja uma pessoa ou um órgão.

Hoje não. Uma pessoa é denunciada ou um órgão de governo ou até mesmo da iniciativa privada, recorre-se a nota que a meu ver é um negócio frio, não dando o direito do repórter questionar a resposta e até mesmo a pessoa ou órgão denunciado a tréplica.

Pois muito bem: tenho observado que esse recurso de notas, sobretudo nas emissoras de televisão, tem sido recorrente. O sindicato tal faz uma denúncia contra um órgão de governo, por exemplo, a produção do telejornal recorre logo a nota. Liga para as assessorias pedindo um pronunciamento, através da maldita nota. E o pior é que muitas vezes a nota é solicitada em cima da hora, ou seja, no tranco. Tipo assim, faltando 15 minutos para começar o telejornal.

“Envie a nota para o e-mail redacao.jornalismo@ (…) o nosso deadline – termo inglês muito usado no jornalismo para dizer do prazo final -, é até às 19h”.

Aí começa o aperreio das assessorias para encontrar o responsável para responder a nota sobre o assunto em pauta, sob pena do apresentador do telejornal dizer: “fizemos um contato com a assessoria do órgão tal, mas não obtivemos retorno”.

Perfeito, se não fosse a comodidade do jornalismo de notas!

A imprensa escrita ultimamente também tem se utilizado do artifício da nota. O repórter liga pedindo uma nota para justificar na sua reportagem o posicionamento de uma pessoa ou um órgão em relação a uma denúncia. Às vezes mandam até as perguntas por escrito. Ou seja, a apuração de um fato todo mastigado.

É verdade que muitas pessoas que ocupam cargos, sobretudo, no serviço público têm receio de dar entrevistas. Ou por serem tímidas, ou por acharem que nem sempre o que falam ao repórter é retratado com fidelidade.

Costumo dizer que uma entrevista é sempre melhor do que uma nota. Na entrevista, se o entrevistado estiver preparado, se tem a oportunidade de qualquer questionamento do repórter se ter a réplica. Na nota não. É aquilo frio e pronto.

Fato é que o jornalismo de hoje é um jornalismo de notas e de redes sociais que estão pautando as redações. Pasmém!

Saudades do jornalismo que preferia ouvir as pessoas ao invés de publicar ou noticiar notas, caso dos telejornais, principalmente.

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