O maior protesto não será o das ruas e sim o das urnas
Quem pensar que os protestos de rua arrefeceram com o fim do Movimento Passe Livre em São Paulo e da Copa das Confederações, engana-se. O Dia Nacional de Lutas esta aí para comprovar o que digo. O que o clamor das ruas pede é uma nova postura de nossos homens públicos, uma nova maneira de se relacionar com a coisa pública. E isso continuará existindo até que a classe política compreenda bem isso.
Antes um movimento que pedia apenas a tarifa zero nos transportes públicos para a estudantada. Depois a classe média resolveu também por os pés nas ruas pedindo educação e saúde de qualidade, segurança pública que não existe, moralidade no trato com a coisa pública e o fim da corrupção e da impunidade. O morro também desceu ao asfalto no Rio de Janeiro para conclamar pelos seus direitos, sobretudo o de cidadania plena. Agora são as centrais sindicais que se manifestam cobrando os direitos das várias categorias representativas da sociedade. Que não se misture com a política-partidária porque se não perde a legitimidade.
Fato é que a sociedade cansou de tantas promessas não cumpridas ao longo dos governos. O pão e circo acabou. Na luta por melhores condições de trabalho estão também os jornalistas, categoria do qual faço parte. Bom ressalvar que as manifestações de rua saíram das redes sociais, mas não custa lembrar que levantamento feito pelo Datafolha dias atrás mostrou que 80% dos links compartilhados no Twitter com “hashtags” ligadas aos protestos durante o auge do movimento tinham origem na mídia dita tradicional. Portanto, os jornalistas estão dando uma grande parcela de contribuição aos protestos de ruas e avenidas espalhados por este Brasil. A luta dos jornalistas é nossa também (veja foto de Canindé Soares).
Não diria que o Brasil acordou, como muitos falam, mas que o Brasil despertou para a realidade. O mundo passa por transformações e o nosso país não poderia ficar a margem destas transformações. Os protestos de rua, volto a repetir, não são só contra o governo ou os governos – federal, estaduais e municipais -, mas, sobretudo contra a classe política que se encontrava em berço esplêndido e na inércia. Que trabalhem, que votem as reformas necessárias que o país tanto precisa, porque do contrário, o maior protesto não será os das ruas e sim o das urnas. A conferir!