O preço pago por priorizar a reeleição de Dilma
O que vou dizer aqui pode até não agradar aos petistas do Rio Grande do Norte, mas é o que eu penso e o que está sendo confirmado agora. O PT papa-jerimum começa a pagar um preço muito alto por priorizar a reeleição da presidenta Dilma Ruosseff e esquecer a eleição local. Dilma não é Lula e, portanto, não tem carisma como o ex-presidente que ao subir num palanque arrasta multidões. Portanto, ao deixar de lado uma candidatura ao governo do estado, no caso a do deputado Fernando Mineiro para priorizar uma hipotética aliança com o PMDB, cujo candidato a governador é o presidente da Câmara, Henrique Alves, a pedido do Palácio do Planalto, tudo em prol da reeleição de Dilma, os petistas locais se equivocaram.
Infelizmente para o PT a candidatura de Mineiro à sucessão estadual perdeu o “timing” quando o parlamentar retirou o seu nome para a disputa de forma irreversível porque a deputada federal Fátima Bezerra (PT), pré-candidata ao Senado, acreditava que tivesse o apoio do PMDB levando isso, inclusive, ao presidente nacional do partido Ruy Falcão, conforme me disse um petista. Ledo engano! Henrique Alves preteriu Fátima Bezerra à Wilma de Faria (PSB), vice-prefeita de Natal e também pré-candidata ao Senado. O resultado está aí para a “surpresa” de muitos petistas.
Estupefatos estão eles com as informações hoje de O Globo e da Folha de S. Paulo de que a presidenta Dilma Ruosseff, em jantar com peemedebistas na noite da última terça-feira, no Palácio Jaburu, sede da vice-Presidência da República, cujo senhoril é Michel Temer (SP), presidente licenciado do PMDB, teria manifestado apoio público aos candidatos a governador do PMDB, entre eles o próprio Henrique Alves, tudo em nome da sempre falada governabilidade.
– Quero ver Henrique governando o Rio Grande do Norte, teria dito Dilma, segundo o Globo, na reunião. Já a Folha deu mais ênfase as palavras da presidenta com relação a eleição em São Paulo. De acordo com o jornal paulistano, a Redação obteve uma gravação com a íntegra do discurso de cerca de 25 minutos que Dilma fez a dirigentes, congressistas e governadores peemedebistas reunidos no Palácio do Jaburu. E diz:
– Em sua fala, a presidente afirmou que o candidato do PMDB em São Paulo, o líder empresarial Paulo Skaf, é parte da “fórmula” para levar a disputa ao segundo turno.
E completa:
– Temos duas candidaturas, uma que é a do ex-ministro [Alexandre] Padilha [PT], e o Skaf. Acredito que é essa a fórmula do segundo turno, disse.
Já a Tribuna do Norte, jornal da família Alves, que reproduziu parte da matéria de O Globo, escancarou:
– Pré-candidato ao governo estadual, Henrique Alves tem trabalhado para formar uma ampla aliança de partidos. Para ele, somente a união de forças pode tirar o Rio Grande do Norte da situação de dificuldades que se encontra. A chapa que ele pretende lançar tem o deputado João Maia (PR) pré-candidato a vice e a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) pré-candidata ao Senado.
Ou seja: mesmo a presidenta Dilma querendo ver Henrique governador, o presidente da Câmara descarta uma aliança com o PT no Rio Grande do Norte.
É como digo: o PT do Rio Grande do Norte precisa deixar de lado esse complexo de vira-latas. Veja Editorial que publiquei outro dia clicando aqui [1].