O que tem a dizer Henrique sobre os canais pornô pagos pela Câmara?
Como presidente da Câmara o deputado Henrique Alves (PMDB), candidato a governador no Rio Grande do Norte, deveria se pronunciar oficialmente sobre a revelação feita pelo site Congresso em Foco, em reportagem publicada dias atrás e suitada hoje sob o título “Câmara paga até canal pornô para deputados”, com dinheiro do contribuinte há de salientar. Diz o texto:
– Mais uma modalidade de uso questionável de recursos públicos está em curso na Câmara, desta vez por meio de TV por assinatura. Ao menos três deputados aproveitaram as benesses da Ceap (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar), que garante fornecimento de produtos e serviços necessários ao exercício do mandato, para contratar pacotes especiais de televisão fechada. São mais de cem canais à disposição, dezenas deles em alta definição, com instalações nos gabinetes e até nas casas dos parlamentares. É de se imaginar que o interesse das excelências seja por notícias ou programas culturais. Mas há campeonatos de futebol e até canal pornô no conteúdo pago com o dinheiro do contribuinte.
O Congresso em Foco teve acesso às faturas de TV fechada de três deputados: Flaviano Melo (PMDB-AC), José Airton (PT-CE) e Renato Molling (PP-RS). Eles contrataram pacotes especiais e ainda aderiram às ofertas das operadoras, que preveem até a abertura do sinal dos chamados “canais adultos”. Houve também compra de filmes e campeonatos de futebol no sistema pay-per-view (pague para ver, em tradução livre). Obviamente, com mais custos para o contribuinte, que é quem de fato paga a conta.
O benefício vem por meio do chamado “cotão”, como é mais conhecida a Ceap, verba multiuso destinada ao pagamento de inúmeras despesas, principalmente passagens aéreas, combustíveis e aluguel de veículos. Com essa cota, a Câmara e o Senado gastam por ano cerca de R$ 253 milhões. A verba varia de estado para estado – deputados do Distrito Federal recebem R$ 27,9 mil; os de Roraima, por exemplo, R$ 41,6 mil. A média dos gastos com o cotão na Câmara é de R$ 35 mil mensais por deputado.
Pois muito bem: outro dia Henrique Alves fez um pronunciamento na Casa condenando veementemente uma reportagem do Fantástico sobre o livro “Nobre Deputado”, do juiz Marlon Reis, onde o magistrado apresenta os resultados de uma pesquisa inédita: conseguiu ouvir pessoas que participam dos meandros da política sobre como se define a eleição de um deputado federal ou estadual. Para que isso fosse possível, foi necessário lhes assegurar o mais absoluto anonimato. O resultado da pesquisa não é apresentado de forma acadêmica, nem enfadonha. A história foi construída baseada em um personagem fictício, chamado de Cândido Peçanha, que encarna ele próprio as condutas descritas nos depoimentos reais colhidos por Márlon Reis. Henrique entrou, inclusive, com uma representação contra o magistrado no CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Fato é que agora a revelação do Congresso em Foco mancha o Parlamento – mais uma vez – o qual ele, Henrique Alves, dirige. E agora não se tem nenhum personagem fictício, tipo o deputado Cândido Peçanha, mas aos menos três parlamentares que usam o dinheiro do “cotão”, recursos esses que saem do bolso do contribuinte, para pagar canais pornô, ou seja, os deputados Flaviano Melo (PMDB-AC), José Airton (PT-CE) e Renato Molling (PP-RS).
Sem falar na Playboy, claro!
Com a palavra o presidente da Câmara, Henrique Alves