O que teria levado um ministro do STF a ter como confidente um senador?
Muito se tem questionado, desde que a Veja publicou no último sábado (26), a entrevista do ministro Gilmar Mendes (STF) em que ele fala de uma suposta pressão do presidente Lula para adiar o julgamento do mensalão. Dois participantes da reunião desmentem: o próprio Lula e o ex-ministro Nelson Jobim. São dois contra um.
Na entrevista ao Jornal Nacional exibida na segunda-feira (28), Gilmar Mendes não afirmou mais categoricamente o que dissera à Veja. Diz ter “inferido” que Lula queria pressioná-lo a tentar adiar o julgamento do mensalão. Registre-se: o ministro inferiu. E o que é inferir? Segundo o Aurélio, significa deduzir.
E o que teria levado o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, a confidenciar ao presidente nacional do DEM, o senador potiguar José Agripino Maia, a sua dedução sobre o que dissera Lula com relação a votação do mensalão? Por que um ministro da Suprema Corte iria procurar um político, e logo de oposição, para ser seu confidente, conforme atestou o jornalista Cassiano Arruda no Novo Jornal, quando escreveu que “José Agripino, na noite de sexta-feira (25), confidenciou a poucos amigos em Natal, com o compromisso de segredo absoluto, uma história que, no dia seguinte, estava nas páginas da Veja: que o ex-presidente Lula havia ameaçado o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal”. Ou seja, o ministro Gilmar Mendes levou ao senador Agripino Maia, numa conversa confidencial, que o ex-presidente o “ameaçara”. Com que objetivo?
E por que foi exatamente a Veja a publicação escolhida para a entrevista de Gilmar Mendes? Pelo o que confidenciou Agripino Maia a um pequeno grupo de amigos, entre eles o jornalista Cassiano Arruda, seu amigo há longos anos, ele já sabia antecipadamente que a matéria “bombástica” iria ser veiculada pela revista dos Civita, que aliás, é alvo de investigação na CPMI do Cachoeira.
Qual o objetivo, afinal, desse misterioso encontro entre um ministro do Supremo Tribunal Federal e um senador? Uma situação pouco usual, há de salientar. Certamente não foi só o intuito de confessar uma conversa que o primeiro tivera com um ex-presidente da República! Me parece, o sentido dessa reunião que ocorrera logo após o encontro entre Mendes e Lula, ter sido muito mais do que apenas relatar o teor da conversa, na versão do ministro, claro, sem a presença agora dos dois outros interlocutores, o próprio Lula e Nelson Jobim.
Em tempo: Hoje fui indagado no twitter, por uma pessoa que não conheço, o por que dessas minhas críticas à José Agripino Maia. Respondi que não tenho nada contra a sua pessoa, apenas critico a forma de Agripino fazer política. E disse a ela que a liberdade de expressão é o alicerce da democracia, sem o que é melhor fechar a bodega.