O risco do discurso fácil e populista
Em campanhas eleitorais é normal os candidatos prometerem mundos e fundos à população em troca do voto. Muitos usam do apelo populista para conquistar o eleitor. Isso acaba sendo um risco que muitas vezes se transforma num engodo eleitoral. Experiências temos de sobra país afora.
O discurso fácil de campanha pode até eleger o candidato, mas certamente a fatura será cobrada lá na frente com juros e correção monetária. As promessas de campanha de que vai construir isso e aquilo, melhorar isso e aquilo e transformar a cidade para melhor de se viver tem um preço alto.
Natal, por exemplo, necessita de um aumento a mais na arrecadação dos tributos municipais da ordem de R$ 50 milhões/ano, segundo a ASAN (Associação dos Auditores Fiscais do Tesouro Municipal), como forma de garantir a recuperação da capacidade de investimentos do município. Isso, candidato nenhum fala.
De acordo ainda com a ASAN, em encontro recente com os candidatos a prefeito – Carlos Eduardo Alves faltou a este encontro – atualmente a arrecadação de impostos como ISS, ITIV e IPTU chega a R$ 172 milhões/ano, o que é considerado deficitário pelos auditores fiscais.
Talvez por ter gazeado o encontro com os auditores fiscais, Carlos Eduardo Alves esteja levando ao seu programa eleitoral o discurso populista de que vai rever para baixo os valores do IPTU se for eleito prefeito.
Claro está que este é um discurso fácil para conquistar o voto do eleitor, mas ao mesmo tempo uma fala perigosa na medida em que com a arrecadação baixa prefeito nenhum pode realizar obras em benefício da cidade.
Quem não gosta de ouvir que o seu IPTU vai baixar? Quem não gosta de ouvir que não serão mais cometidos abusos no reajuste do IPTU? Se há uma coisa que irrita o cidadão é “mexer” no bolso dele. Está certo, obviamente!
No entanto, o discurso populista para angariar votos pode se tornar um tiro pela culatra. Até porque nenhum dos seis candidatos que disputam a prefeitura de Natal conhece ainda a realidade que vai encontrar o erário municipal, caso seja eleito. Antecipar no programa eleitoral que vai rever o IPTU, repito, é um discurso fácil e populista, que pode ser adotado por todos os candidatos, mas perigoso.
Os candidatos têm que ter responsabilidade na hora de pedir o voto. Não estou aqui na defesa de um IPTU elevado, longe de mim pensar desta forma, mesmo porque sou também um contribuinte, mas convenhamos: arrecadação de tributos é um assunto que não deveria constar de plataforma de governo nenhum, até porque em janeiro, quando o prefeito eleito assume a realidade do país pode ser outra e, claro, a do município também. A conferir!