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Editorial

O ultimato de Henrique à Dilma

Lendo a entrevista do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB), candidato derrotado ao governo do Rio Grande do Norte, à revista Veja, me parece que o parlamentar deu um ultimato à presidenta Dilma quando diz que “Dilma tem dois meses para mudar estilo de governar”.

Henrique afirma na entrevista, que parece “bem articulada e planejada” pelaVeja, uma semana após o pleito que levou a reeleição da petista, que  “eu acho que ela – Dilma – precisa conversar mais. Quando convencer, muito bem. Quando não, que seja convencida. Acho que ela vai partir para isso, para um modelo diferente do primeiro mandato. Até porque antes ela tinha um contexto eleitoral muito favorável, mas agora não, está dividido. E aqui, pelo radicalismo da campanha, é um prato cheio para o Aécio, porque as coisas vão se tornar ainda mais radicais. Mais do que nunca vai exigir a colaboração do PMDB e ela própria vai ter de conversar mais com o setor produtivo, com representantes empresariais, com o setor sindical e com parlamentares”.

Me parece também uma ameça do ponto de vista de que “se não conversar, se não convencer”, a presidenta está arriscada a viver dias tenebrosos no Congresso Nacional principalmente na Câmara. O tom velado de ameaça fica claro quando o atual presidente da Câmara diz que “fora da janela do Palácio do Planalto há um país dividido. E tem que haver muito cuidado para que amanhã não haja uma crise. É preciso calçar a sandália da humildade”.

Isso é muito preocupante partindo de um presidente da Câmara dos Deputados, embora que em final de mandato. Mas todos sabemos que Henrique Alves tem influência dentro do PMDB e é um grande articulador, o que preocupa mais ainda a estabilidade política no país. As eleições presidenciais e até mesmo para governador no Rio Grande do Norte, onde Henrique foi candidato, deixaram sequelas. Henrique se queixa da participação do ex-presidente Lula no programa eleitoral do seu principal opositor, Robinson Faria (PSD) que acabou vencendo a eleição em segundo turno. Esquece Henrique, no entanto, que ele preteriu a candidatura da petista Fátima Bezerra ao Senado, preferindo apoiar Wilma de Faria (PSB), que no plano nacional fazia oposição à presidenta Dilma.

Mas Henrique parece está mais preocupado em aumentar o número de ministérios do seu PMDB. Isso fica também claro na entrevista à Veja, quando afirma que “a Dilma tem de compartilhar mais, de participar mais. Não pode ser como vinha sendo, o PT escolhendo o que quisesse, principalmente os melhores ministérios, e deixando o resto para os outros. Não pode e não deve ser assim. A Dilma tem dois meses para provar que as coisas não vão ser assim”.

Dito isto, o ultimato de Henrique à presidenta Dilma fica bem caracterizado, ou seja, ou Dilma satisfaz o seu PMDB ou o governo vai comer o pão que o diabo amassou e a governabilidade, ah, a tal governabilidade vai para o espaço.

A conferir!

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