O uso da baixaria para tentar ganhar uma eleição. Vide caso Lurian
O candidato do PMDB ao governo do Rio Grande do Norte, presidente da Câmara Henrique Alves, que no primeiro turno dizia que não iria baixar o nível da campanha, parece esqueceu o discurso, pois que a sua assessoria distribuiu release sobre o seguinte título: “Robinson deu título de cidadão norte-rio-grandense ao médico Roger Abdelmassih”.
O texto diz:
– Roger Abdelmassih, o médico condenado a 278 anos de prisão por estuprar 52 mulheres em seu consultório, é cidadão norte-rio-grandense. Ele não nasceu no Estado, contudo ganhou o título de cidadão potiguar em 2006 por obra do então deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Robinson Faria. Apesar do escândalo ter estourado no ano de 2009, Robinson, presidente da Assembleia até 2010, nunca revogou o título de cidadão norte-rio-grandense concedido ao médico condenado por estupro. Roger ainda possui a honraria.
Pois muito bem. Para quem não lembra do Caso Lurian – Lurian é o nome da filha que Lula teve quando era bem jovem com a enfermeira Miriam Cordeiro – a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial de 1989, Miriam apareceu no programa de televisão de Collor de Melo dizendo que Lula detestava negros e que a aconselhara a abortar a filha. Descobriu-se em seguida que Miriam recebera uma bela grana para dizer o que disse. Mas seu depoimento na televisão tirou votos de Lula.
O título de cidadão norte-rio-grandense a Roger Abdelmassih, se pode dizer que não se trata de nenhuma armação, contudo querer culpar Robinson Faria por ter apenas entregue esse título a ele e de nunca tê-lo revogado é tentar ganhar a eleição apelando para a baixaria que tanto Henrique Alves condena. Parece que o marketing de Henrique Alves está incumbido de criar “fatos” que possam desestabilizar a campanha adversária a qualquer custo. Esquece Henrique Alves que ele como presidente da Câmara tem telhado de vidro.
Alguns dirão que Robinson já relembrou em seu programa eleitoral o escândalo do uso do avião da FAB pelo deputado Henrique Alves para fins particulares, bem como o escândalo do Dnocs envolvendo um apadrinhado seu, e o mais recente, o escândalo da Petrobras onde Henrique Alves foi citado pelo ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, em delação premiada ao Ministério Público como tendo supostamente recebido propina em negociatas envolvendo a empresa e empreiteiras. Não custa lembrar que o Supremo Tribunal Federal já aceitou a delação e que o nome de Henrique Alves consta na lista entregue pelo Ministério Público ao Supremo.
Certo, mas isso são fatos e não baixaria, e que envolvem diretamente o nobre parlamentar.
No caso do título de cidadão concedido a Roger Abdelmassih, sequer na época o médico tinha sido citado em qualquer tipo de escândalo. E mais: o próprio texto da assessoria de Henrique Alves reconhece que “Roger Abdelmassih foi preso preventivamente no dia 17 de agosto de 2009 e posteriormente solto em razão de habeas corpus do Supremo Tribunal Federal. O caso ganhou repercussão, mas somente em 2010 o ex-médico foi condenado a 278 anos de prisão pela juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16ª Vara Criminal de São Paulo. Ele foi acusado de 56 estupros de pacientes em sua clínica, localizada em uma área nobre da capital paulista. Apesar da prisão decretada, Roger Abdelmassih conseguiu fugir do país em 2011.”
Portanto, querer imputar a Robinson Faria culpa pelo fato dele ter entregue um título de cidadão a Roger Abdelmassih quando este ainda não era acusado de nada, é o mesmo que Collor fez com Lula na eleição de 1989. O resultado todos sabem.
Detalhe: o atual presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ricardo Motta, que apoia a candidatura de Henrique Alves, poderia revogar o título, não o fez!