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Editorial

O “viva la revolución” e o sonho da blogueira cubana

Ditadura é ditadura, seja de direita ou de esquerda. Inicio este Editorial com tal comentário porque me surpreendeu as manifestações ditas de esquerda contra a blogueira cubana Yoani Sánchez em sua chegada ao Brasil, onde deve passar sete dias.

Sánchez encantou-se com o vigor de seus antagonistas. Disse sonhar com o dia em que protestos do gênero ocorrerão em Cuba sem que ninguém vá em cana.

Não sem razão. A esquerda brasileira que exalta tanto os governos ditatoriais dos irmãos Castro, esquece que lá, em Cuba, só se pode falar bem do governo. Quem falar mal vai preso. Aliás, grande parte da esquerda brasileira só conhece Cuba através de livros e estes, claro, escritos por quem defende o regime.

É hora de se acabar com esse discurso filosófico de que Cuba é um país onde o socialismo deu certo. Sim, deu certo para quem está no poder há anos, sem que promova eleições onde o povo possa votar. Que socialismo é esse se nem o povo tem direito a se expressar, seja nas urnas, seja através do pensamento? Como disse, ditadura é ditadura seja ela de direita ou de esquerda, não faz diferença. Num país onde as pessoas não tem o direito ao menos a livre expressão isso pra mim é uma ditadura.

A jornalista e blogueira Yoani Sánchez é perseguida em seu país simplesmente por fazer oposição ao regime castrista. Ela  foi impedida diversas vezes de sair da ilha, e só conseguiu viajar depois que o governo cubano extinguiu a exigência de permissão para a saída da população do país. A mudança entrou em vigor em 14 de janeiro. Ela recebeu seu novo passaporte no dia 30 de janeiro. Menos mal!

O que tem a dizer a esquerda brasileira sobre isso? Será que se fosse no Brasil a esquerda, dita radical, apoiaria que brasileiros fossem impedidos de deixar o país ou até mesmo criticar o governo? Duvido muito!

A esquerda brasileira é retrô. Os anos 60/70 já vão muito longe. Lembranças apenas nas camisetas com o retrato de Che Guevara que o mundo capitalista explora vendendo-as aos esquerdistas saudosistas. Aliás, já tive uma também quando estudante. Mas o mundo mudou e os ideais idem.

Não sou de direita nem de esquerda. Confesso que essa dicotomia pra mim também já acabou com o final da guerra fria. O que há hoje são movimentos que podemos chamar de conservadores e progressistas.

Aos gritos de protesto como “viva la revolución”, me parece que o saudosismo tomou conta da esquerda brasileira. Talvez até porque o Brasil não tenha passado por uma revolução armada. Graças a Deus não foi preciso. Quem promoveu a “revolução”, pacífica, democrática e no voto direto foi um operário, que nunca foi de esquerda. Falo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Portanto, me surpreende, repito, essa manifestação dita de esquerda contra uma blogueira que melhor do que a esquerda brasileira pode falar sobre o regime castrista, afinal, ela vive em Cuba com toda a sua família e faz questão de retornar a sua terra após essa peregrinação pelo Brasil onde veio lançar o documentário Conexão Cuba-Honduras, e por mais 12 países da América Latina e da Europa durante três meses.

E viva a democracia brasileira!

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