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Editorial

O zelo do MP

Não vejo o prefeito eleito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), como um títere nem que tenha renunciado para apenas seguir as “ordens” do Ministério Público Estadual. Na verdade ao fazer inúmeras recomendações ao prefeito eleito, entre as quais, que os cargos comissionados sejam ocupados somente por pessoas que não tenham condenações judiciais, o MP está tendo o cuidado de zelar pela coisa pública diante de tantos escândalos vistos na administração municipal este ano. Aliás, recomendações estas que deveriam ser de praxe a todos os gestores.

Tem razão o MP quando se preocupa com o zelo pela coisa pública e convida o prefeito eleito de Natal para uma conversa de pé de ouvido. O próprio MP acusa uma perda de R$ 164 milhões na prefeitura do Natal. Carlos Eduardo Alves já estima que o rombo nos cofres públicos pode chegar a R$ 500 milhões tendo em vista que a equipe de transição já detectou algo em torno de R$ 300 milhões.

Portanto, as recomendações do Ministério Público Estadual ao novo prefeito de Natal que assume o cargo no dia 1º de janeiro procedem. Os escândalos ocorridos nos últimos anos envolvendo dinheiro público não só na esfera municipal, mas como também nas esferas estadual e federal, levam a que o MP tenha essa preocupação. Aliás, não custa lembrar que o próprio Carlos Eduardo Alves foi ou é alvo de questionamento na Justiça sobre suas contas relativas ao último ano de sua gestão como prefeito de Natal em 2008. Isto, por si só, já daria motivos ao MP para fazer recomendações ao pedetista que agora assume novamente o Executivo municipal.

Fato é que o Ministério Público está sim preocupado com as futuras gestões. Carlos Eduardo Alves é apenas um exemplo, pois que pegará uma prefeitura falida, onde uma prefeita – Micarla de Sousa – foi afastada do cargo pela Justiça por denúncias de recebimento de propina, e que de certa forma ainda vai sair no lucro, pois poderia está presa ou no mínimo ter perdido os direitos políticos. Como não sofreu processo de impeachment, Micarla deixou a prefeitura natalense livre, leve e solta para poder concorrer, se quiser, a deputada estadual nas próximas eleições.

Carlos Eduardo Alves não terrá o direito de errar, sobretudo, no que se refere a probidade administrativa. O MP o chamou antes mesmo de ser empossado no cargo. Foi as claras com ele, recomendou tim-tim por tim-tim como deve proceder se não quiser sofrer qualquer tipo de investigação. Não que vá ser um títere, repito, mas certamente os meninos e meninas do MP estarão na sua cola. Não basta dizer que é ficha limpa é preciso parecer ser ficha limpa. A conferir!

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