Os protestos de rua estão apenas `sonolentos´
O Correio Braziliense publica hoje uma reportagem sobre o “arrefecimento” dos protestos de rua no Brasil após a Copa das Confederações. Salvo casos pontuais, o povo não vai mais às ruas com a frequência do mês passado. Com isso, algumas propostas estratégicas sofreram um refugo, diz a matéria.
Devo admitir que isso está ocorrendo. Não que os movimentos de rua pela melhoria na qualidade da educação, saúde, por segurança e pela moralidade no trato da coisa pública e contra a corrupção e a impunidade tenham deixado de existir. Trata-se agora de manifestações pontuais, como colocou o jornal.
No entanto, já se fala na possibilidade dos manifestantes voltarem às ruas com toda a carga durante a visita do papa Francisco ao Brasil, quando da Jornada Mundial da Juventude, que começa no dia 22 de julho , e nas comemorações do Dia da Independência, em 7 de setembro. Não descarto, até porque são dois grandes momentos de visibilidade na mídia mundial, principalmente a Jornada Mundial da Juventude com a presença do papa.
Fato é que, embora sonolentos, diria, os protestos de rua não acabaram. As insatisfações da sociedade continuam. Enquete realizada pelo blog mostra claramente isso. Quando indagado ao leitor se ele era favorável a que os protestos de rua continuassem no país, o resultado mostrou que para 82% das pessoas que participaram da enquete sim. Apenas 18% se mostraram contrárias.
É verdade que no Congresso, como constatou o Correio Braziliense, o ânimo para atender as massas já não é o mesmo. Após o temor gerado no auge dos protestos, que resultou na aprovação de alguns temas em comissões e na rejeição de outros projetos após pressão popular – como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37, que retirava poderes de investigação do Ministério Público, e o projeto da cura gay —, os parlamentares relaxaram.
Mas, repito, os atos de rua estão apenas sonolentos. Basta uma lupa sobre o Congresso Nacional, como disse em Editorial passado – clique aqui [1] para ler – , para a sonolência acabar. A conferir!
Charge: Amorim, no Correio do Povo (RS)