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Editorial

Pirangi precisa repensar seu carnaval

Outrora considerado o melhor carnaval do Rio Grande do Norte, a praia de Pirangi, litoral sul do estado, distante cerca de meia hora de carro de Natal, capital potiguar, precisa repensar o seu carnaval sob pena de acabar de vez. Este ano o número de foliões diminuiu nas ruas da praia. Parecia não existir carnaval. Decoração de carnaval, essa então, muito pobre. Se é que tinha mesmo.

Me lembro que no passado quando o grande Raimundinho criou a Banda do Cajueiro, muitos veranistas saiam de suas casas, além dos nativos para acompanhar o bloco. Depois veio a Troça do Sebastião, em seguida blocos com trios elétricos como o Kero Mel. Neste período funcionava o Circo da Folia, à noite, e aqueles foliões mais jovens continuavam a brincadeira.

De uns tempos pra cá o carnaval de Pirangi, praia que pertence ao município de Parnamirim, tem deixado a desejar. Está indo na contramão da história. Eu, que adoro carnaval, há seis anos deixei de ir para o circuito Olinda/Recife por aceitar o desafio de um amigo, Emmanuel Rocha, de criar um bloco ao estilo dos blocos de Olinda, objetivando resgatar o carnaval de rua de Pirangi. Criamos então a Troça do Perú, um bloco formado por amigos profissionais liberais que da mesma forma que eu adoram carnaval, muitos dos quais eis foliões de Olinda. Nos primeiros cinco anos a Troça do Perú descia do Alto de Pirangi, o que fazia relembrar as ladeiras de Olinda.

Este ano, contra a minha vontade, o bloco fez a concentração próximo a sede da Apurn (Associação dos Professores da UFRN). Cantei a bola de que não iria dar certo. Dito e feito. Muitas reclamações de amigos nossos que inclusive levaram crianças. Como a prefeitura havia prometido à diretoria do bloco fechar o trânsito na avenida principal de Pirangi às 15h, para que o bloco pudesse fazer a sua concentração e depois desfilar, acabei concordando, mas ainda sob protesto. Insistia que a concentração deveria continuar no alto de Pirangi.

Eís que a prefeitura não cumpriu o prometido. A avenida principal só foi fechada após às 16h40. A concentração foi, literalmente, um fracasso. A banda ensaiava tocar, mas ninguém se manifestava em ir pra rua com receio dos carros, naturalmente. Elogios ao bloco, como sempre, não faltaram, mas a reclamação quanto a concentração foi geral, sem falar na falta de incentivo para a realização de um bom carnaval por parte da prefeitura de Parnamirim.

No percurso do bloco encontrei o prefeito Maurício Marques e lhe disse da minha preocupação. Falei pra ele que se a prefeitura não incentivasse o carnaval de rua com vários blocos saindo na avenida, o Reinado de Momo naquela praia estaria fadado a acabar de vez. Até o Circo da Folia, desde o verão, deixou de patrocinar shows em Pirangi. Já havia observado que o veraneio foi um fracasso. Agora o carnaval.

Lembro só que o carnaval é uma festa popular e como tal tem que ter blocos nas ruas. Rio e São Paulo estão provando isso. Além do que é uma maneira dos ambulantes ganharem seu dinheirinho e a própria prefeitura arrecadar com os bares, hotéis e pousadas que existem na praia de Pirangi. Carnaval, Sr. prefeito, atrai turista também e divulga mais ainda a praia, já tão conhecida por suas piscinas naturais.

Se no próximo ano for do jeito que foi este ano, confesso, que volto pra Olinda. Seria um dissidente da Troça do Perú, certamente.

A conferir!

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