PMDB, o `doril´dos governos petistas
Desde que o PT se tornou governo quando Lula (PT) foi presidente pela primeira vez, o PMDB, aliado de primeira hora, sempre foi tido como fisiologista e oportunista na distribuição dos cargos, o que, convenhamos, não deixa de ser verdade. Acusações mútuas entre petistas e peemedebistas nestes quase 12 anos de governo do PT é o que não faltam. Até ameaças de rompimento de um lado e de outro. Mas o casamento continua durando. E quando o governo se ver acuado por alguma CPI recorre logo ao PMDB. É aquela velha história: tá com dor toma doril que passa.
Pois muito bem, caro leitor: lembra da CPI dos Correios que não chegou a concluir investigações sobre desvio de dinheiro – instalada em 2005, logo depois das denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que parlamentares estavam sendo comprados para votar a favor de projetos de interesse do Palácio do Planalto – e que uma das investigações que não chegaram ao fim foi o empréstimo feito ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo PT. A dívida foi paga pelo ex-presidente do Sebrae Paulo Okamoto sem que Lula soubesse. Ou, pelo menos, que dissesse que não sabia. Também não houve avanço nas investigações envolvendo a empresa Gamecorp, na época de propriedade de um dos filhos de Lula, com o esquema do “mensalão”.
Naquele momento o então presidente do Senado, José Sarney (PMDB), embora que demorado, usou a tribuna da Casa para fazer um pronunciamento em defesa de Lula. Disse o cacique peemedebista:
– Até agora não há qualquer fato, nem de leve, sobre responsabilidade do presidente, portanto, até o momento, é excesso e imprudência se falar em impeachment. O Brasil vive uma crise, não de políticos, mas de homens.
Sarney ainda alertou para não se fazer uso de “artifícios políticos” para aumentar, ainda mais, a crise que a própria realidade dos fatos já o fazia à cada nova revelação.
Agora surge a notícia de que cobrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira passada para que atue politicamente e tente neutralizar o impacto da iminente instalação da CPI da Petrobras, a presidente Dilma Rousseff chamou ontem para um almoço no Palácio da Alvorada os senadores mais influentes do PMDB, seu principal aliado: o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o líder do governo, Eduardo Braga (AM), o líder do partido, Eunício Oliveira (CE), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Vital do Rêgo (PB). O script anticrise incluiu a promessa a Eunício Oliveira que fará de tudo para garantir a ele a vaga na disputa para o governo do Ceará na coligação composta pelo PT e pelo PROS dos irmãos Cid e Ciro Gomes, uma reivindicação antiga do PMDB, diz o Estadão.
Fato é que esta CPI, que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) defende que seja ampla para apurar não só as denúncias relativas a Petrobras, assim como o metrô de São Paulo e o porto de Suape (PE), me parece não dará em nada. É outra CPI do fim do mundo. pois que atingirá até o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, conforme o Jornal Nacional mostrou ontem, e isso não interessa a oposição. De acordo com a reportagem, documentos internos da Petrobras revelam contratos fechados com a Alstom, empresa denunciada por formação de cartel. A área jurídica da Petrobras fez vários alertas sobre risco de prejuízo nos negócios para fornecimento e para a manutenção de turbinas em termelétricas feitos nos governos Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Lula e Dilma Ruosseff do PT.
É, pelo visto Lula aconselhou mesmo Dilma a tomar “doril”.