PMDB usa a estratégia de técnico de futebol
Sabe aquela estratégia muito usada por técnicos de futebol de só revelar o time que vai entrar em campo minutos antes da partida? Está parecendo o PMDB do Rio Grande do Norte. O partido tem três nomes oligárquicos para lançar candidato – Garibaldi Alves, Henrique Alves e Walter Alves – mas, apesar de dizer que terá candidatura própria nas eleições de 2014, nenhum deles se apresenta oficialmente.
O presidente da Câmara, deputado Henrique Alves, reafirmou ontem, em Mossoró, que o PMDB está elaborando um projeto “realista e viável” visando a recuperação do Rio Grande do Norte e que vai apresentá-lo, com uma proposta de parceria aos demais partidos, no início de 2014, e destacou que, somente no “momento oportuno”, o partido vai definir nomes.
– Primeiro, temos que pensar na recuperação do Rio Grande do Norte, que enfrenta uma situação de extrema dificuldade. Por isso, estamos elaborando uma proposta de governo, a ser discutida com os demais partidos, convictos que estamos de que ninguém ganhará uma eleição sozinho e muito menos conseguirá governar, emendou.
Já o primo de Henrique, ministro Garibaldi Alves disse:
– O PMDB terá candidato próprio em 2014, e vamos ganhar se Deus quiser.
Pois é. Os Alves estão agindo como técnico de futebol às vésperas de uma partida importante. Usando o linguajar futebolístico o PMDB tem no banco “três armas secretas” para disputar uma única posição; a de candidato a governador, mas só irá divulgar esse nome após conhecer os adversários ou adversário.
Diante do rompimento do PSB com o governo Dilma e da iminente candidatura do presidente da legenda, o governador de Pernambuco Eduardo Campos à Presidência da República, parece que o PMDB papa-jerimum aguarda apenas a confirmação de que a vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), será candidata novamente ao governo do estado.
Com essa possibilidade, os Alves devem apresentar o nome de Garibaldi para disputar o pleito. Não tenho dúvida disso.
Mas Henrique Alves conta com a esperança de ter também o PSB, mais precisamente Wilma, ao lado do projeto político-administrativo do seu PMDB objetivando a recuperação do Rio Grande do Norte. Isso está claro quando Henrique afirma que o tal projeto será apresentado com uma proposta de parceria aos demais partidos, no início de 2014, observando que, somente no “momento oportuno”, o partido vai definir nomes.
Acaso Wilma seja candidata ao governo, repito, Garibaldi será o nome do PMDB na disputa. Se por outro lado o PSB se integrar ao projeto do PMDB, Wilma sonha ser a candidata ao Senado, tendo o PMDB, aí sim, como candidato ao governo o deputado estadual Walter Alves. Difícil será os garibaldistas aceitarem essa composição. Volto a relembrar o efeito Orloff. Wilma será, neste caso, a Rosalba amanhã.
E onde fica o PT? Acredito que numa aliança entre PMDB, PSB e PT, mais provável seja Garibaldi ou até mesmo Walter candidato ao governo, a deputada federal Fátima Bezerra (PT), candidata ao Senado, e Wilma de Faria a deputada federal, podendo até indicar o nome a vice, no caso a deputada estadual Márcia Maia (PSB).
Até porque o PSB com o rompimento com o governo Dilma vai ficar sem poder de barganha numa hipotética aliança com o PMDB e o PT, já que ao que tudo indica e nos conformes, Michel Temer (PMDB-SP) deverá ser novamente o companheiro de chapa da petista rumo a reeleição à presidência da República. Sendo assim, que poderes Wilma teria para exigir a senatória numa aliança do seu partido com o PMDB e o PT. Difícil, caro leitor.
O certo é que estrategicamente o PMDB vem agindo como time de futebol à espera da decisão. A conferir!
Foto: divulgação