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Editorial

Poema`Quadrilha´, de Drumond, bem se aplica a eleição no RN

É claro que estou escrevendo este Editorial analisando uma hipotética discussão entre os pré-candidatos a governador do Rio Grande do Norte, presidente da Câmara, deputado Henrique Alves (PMDB) e o vice-governador, Robinson Faria (PSD), rompido com o governo. Henrique não apoiou a eleição da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), mas o seu partido e ele depois apoiaram o governo dela. Robinson apoiou a eleição de Rosalba, sendo inclusive o seu vice na chapa encabeçada pela democrata.

Já com relação a ex-prefeita de Natal, Micarla de Sousa, afastada pela Justiça antes mesmo de terminar o mandato acusada de improbidade administrativa, teve em Robinson Faria, então presidente da Assembleia Legislativa, um dos seus principais aliados.  Aliás, foi ele quem mais incentivou a então deputada Micarla de Sousa, sua colega de Parlamento a sair candidata a prefeita da capital potiguar.

Por outro lado, os Alves – Henrique e o ministro Garibaldi Alves, seu primo – apoiaram ao lado da atual vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), a candidatura da deputada federal Fátima Bezerra (PT) a enfrentar Micarla de Sousa nas urnas. Veja, caro leitor, como é a política. Hoje, os Alves estão juntos novamente de Wilma de Faria e o PT, da deputada Fátima Bezerra ao lado de Robinson Faria. Já dizia o velho político mineiro Magalhães Pinto que política é como uma nuvem. Hoje tá assim amanhã tá assado. Não canso de repetir isso em meus editoriais porque é a pura verdade.

Nas eleições de outubro Henrique Alves será candidato a governador tendo como aliada Wilma de Faria candidata ao Senado. Do outro lado, se não houver nenhum tipo de percalço no caminho – digo, se não houver a picada da mosca azul – Robinson Faria, também será candidato ao governo e terá ao seu lado a petista Fátima Bezerra como candidata a senatória.

E qual será o discurso desse pessoal? Henrique dirá que Robinson apoiou Micarla para prefeita de Natal. Robinson dirá que o PMDB de Henrique apoiou o governo Rosalba. Na réplica Henrique dirá então que Robinson apoiou a eleição de Rosalba sendo o seu vice na chapa. Respondendo a Henrique na tréplica, Robinson dirá, então, que rompeu com Rosalba desde o primeiro momento do seu governo. Aí Henrique falará que ele só rompeu porque o senador José Agripino, presidente nacional do DEM, que esteve ao lado dele (Robinson) na eleição de Micarla e de Rosalba, questionou o fato do psdebista ter cooptado prefeitos e deputados do DEM para fundar o PSD no estado.

E aí entrará as senadoráveis, Wilma de Faria e Fátima Bezerra: claro está que nenhuma das duas apoiou nem Micarla nem Rosalba. Ao contrário. Na eleição para a prefeitura de Natal em que Micarla foi eleita apoiada por Robinson Faria e José Agripino, as duas estiveram lado-a-lado, com os Alves também. No entanto, nas eleições de agora Wilma e Fátima são oponentes. Wilma terá o discurso de que Fátima apoia Robinson Faria que criticou numa eleição não muito distante. Fátima, por sua vez, dirá que Wilma, que até então era Dilmista de carteirinha, agora virou oposição ao governo petista e que se aliou aos Alves.

Portanto, caro leitor, a eleição de outubro, a se confirmar o cenário, vai parecer mais com aquele poema de Carlos Drumond de Andrade, “Quadrilha”:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

 

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