Por que não se cobra o Conselho de Ética na AL?
– Um jornal local fez uma matéria especulativa nas quais eu fui denunciado em estar envolvido em um caso de adultério e inclusive tinha estimulado uma jovem a fazer um aborto, porém não foi divulgado os nomes dos denunciantes e não houve comprovação nenhuma, rebateu o deputado dizendo até que se fosse comprovado alguma das acusações ele abriria mão do seu mandato na Assembleia.
As palavras são do deputado Antônio Jácome em entrevista a Rádio 96/FM.
O que me estranha é que a própria igreja que o deputado-pastor prega o afastou dos cultos sob a acusação de ter praticado adultério e ter incentivado um aborto. Agora ele diz que não houve comprovação nenhuma; Mas por que então o parlamentar-pastor foi afastado dos cultos se não houve comprovação das denúncias como ele afirmou?
Mas o pior é que nem a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte procurou investigar se de fato as denúncias procedem ou não. Isso me parece também muito estranho. Sequer a Casa tem um Conselho de Ética. Volto ao assunto porque o Senado está retomando o seu Conselho de Ética.
Só pra relembrar: Desativado há dois anos, após engavetar todas as denúncias relacionadas ao escândalo dos atos secretos – das quais dez envolviam diretamente o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP) -, o Conselho de Ética do Senado ressuscitou composto por senadores que já têm passagem pelo órgão. Não como julgadores, mas como investigado e denunciados.
Além de indicar seu próprio nome como titular, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), escolheu os senadores João Alberto (PMDB-MA) e Gim Argello (PTB-DF) como, respectivamente, presidente e vice-presidente do órgão. Nas três vezes em que ocupou o cargo, João Alberto engavetou todos os processos abertos no conselho.
O que tem a ver isso com a falta de um Conselho de Ética na Assembléia Legislativa, dirá o web-leitor. Só tem a ver. Sarney acabou com o colegiado no Senado porque seu nome estava envolvido em escândalos que estavam sendo investigados na Casa, embora alguns membros do Conselho fossem comprometidos com ele. Mas agora o Conselho está sendo retomado.
O fato é que a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte não tem seu Conselho de Ética, e se teve algum dia nunca se soube. A falta desse colegiado só veio à tona agora depois das denúncias contra um membro da Casa. Ao pé da letra Jácome cometeu sim falta de decoro. A pergunta que não quer calar: Porque o vice-governador Robinson Faria, na época em que era presidente da Assembléia Legislativa não instalou o Conselho de Ética? Será por que os nossos deputados não estavam sujeitos a faltar com o decoro parlamentar? E agora, com esse escândalo envolvendo um membro da Casa, não seria o caso de convocá-la, se tivesse um Conselho de Ética?
E por que a imprensa cala sobre o assunto? Por que não se questiona a presidência da Casa sobre a falta desse colegiado? Por que o corporativismo de nossos parlamentares encobrindo o escândalo onde um colega foi acusado por uma instituição religiosa de ter incentivado o aborto, considerado crime no Brasil?
Estranho, muito estranho mesmo!