Reservado: Paciente foi fazer hemodiálise, ainda volta
A frase acima está estampada em foto na capa da edição desta quinta-feira no jornal Tribuna do Norte, e é assinada por Jonas Rocha da Silva, internado no Hospital Walfredo Gurgel, em Natal. Detalhe: Jonas Rocha é paciente do SUS e a frase está estampada numa plaqueta próximo a maca onde ele se encontrava.´
A que ponto chegamos! O caos no sistema de saúde levou a que um paciente fizesse de uma maca nos corredores do maior hospital público do Rio Grande do Norte, uma “reserva” por falta de leitos naquela unidade hospitalar.
O texto do jornal afirma que “a possibilidade da perda de vaga no hospital faz com que pacientes em tratamento externo, a maioria deles em hemodiálise, deixem recados na maca temporariamente vazia, como se delimitassem um território”.
Outro dia li que um médico num hospital particular no interior de São Paulo – não lembro qual a cidade – fez um BO (Boletim de Ocorrência) devido ao hospital em que trabalhava ter reservado um leito numa UTI destinado ao SUS a pacientes com plano de saúde. O médico, com “M” maiúsculo, pode-se dizer, desrespeitou a determinação da direção do hospital e internou um senhor que teve um ataque cardíaco. O tal senhor não tinha plano de saúde.
No caso do Walfredo Gurgel a situação foi diferente. O próprio paciente do SUS tratou de reservar o seu leito, digo, maca. Talvez para tomar precauções de que a sua maca poderia ser surrupiada por ourtro paciente em função do hospital não ter leito suficiente.
São duas situações diferentes: Uma, o médico teve que registrar na delegacia através de um BO que estava “desrespeitando” uma orientação do hospital em que trabalhava para poder salvar uma vida de u paciente do SUS. A outra, o próprio paciente do SUS tratou ele mesmo de resrvar o seu leito antes que um aventureiro aparecesse e levasse o que ele tinha de mais precioso naquele momento. Uma maca para poder ficar internado no hospital.
Como se vê, de uma forma ou de outra quem depende do SUS neste país está sujeito a situações vexatórias.