[1]Rivotril, a dor de cabeça da polícia e o MP. Tudo a ver!
A despeito das megas operações policiais nos últimos quinze dias em Natal, particularmente na comunidade de Mãe Luiza e no Morro do Tirol, sobretudo no Parque das Dunas – área de preservação ambiental -, na tentativa de capturar o traficante de drogas conhecido como Rivotril – um ansiolítico (ou, popularmente, um calmante) – devo dizer que a polícia está tendo que tomar muito Doril pela dor de cabeça que o marginal vem causando. Não sem razão; morador de Mãe Luiza e certamente um profundo conhecedor da mata que emoldura o Parque das Dunas, Rivotril fez do local o seu esconderijo.
Contudo devo dizer que o MP (Ministério Público) tem sua parcela de culpa em não promover de vez a retirada de famílias que insistem em residir dentro do Parque das Dunas ilegalmente. É verdade que o MP promoveu uma ação de retirada destas famílias, mas algumas ainda continuam a morar lá. Faço essa ressalva porque um dos esconderijos de Rivotril fica dentro do Parque. Mas, não só o MP é culpado desta situação irregular. A Polícia Ambiental que deveria fazer a fiscalização da área não o faz, e se o faz é com deficiência, pois que do contrário não haveria como Rivotril fazer do Parque das Dunas seu refúgio predileto.
Já falei sobre essa ocupação irregular do Parque das Dunas por diversas vezes – clique aqui [2]para conferir – , inclusive, ilustrando com fotos como esta que acompanha o Editorial. Há dias em que os moradores do Parque provocam até queimadas, tendo que se acionar o Corpo de Bombeiros para apagar o fogo, isto sem falar nas crateras que estão sendo abertas para jogar lixo. Até geladeira velha já foi encontrada no lixão que se forma numa das encostas do Parque das Dunas. Boca de fumo, então, é o que mais tem. O próprio Rivotril é tido como o maior traficante de Mãe Luiza e, claro, faz do Parque das Dunas uma espécie de filial de Mãe Luiza. Ou seria a sua central de drogas?
Para evitar que o Parque das Dunas se transforme numa favela ou o Ministério Público obriga verdadeiramente o governo do estado a tomar providências, através da retirada em definitivo das pessoas que ocuparam a área de maneira irregular, com a derrubada das casas que ainda permanecem lá, ou teremos em curto espaço de tempo uma nova favela na capital potiguar com boca de fumo e tudo o que os marginais tipo Rivotril se acham no direito de ter.
Resido no Tirol bem próximo ao Parque das Dunas, um bairro que tem um dos IPTUs mais caros de Natal. De uns dias pra cá tive que me acostumar com o barulho da hélice do helicóptero da polícia quase que na janela do meu apartamento, tão próximo a aeronave costuma ficar nas caçadas cinematográficas a Rivotril, sem sucesso, devo acrescentar. A bordo da aeronave policiais com fuzis em punho. Óbvio que se o MP pressionasse o governo para que fiscalizasse o Parque das Dunas com frequência, cenas como as que estou a falar eu só veria em filmes ou nas reportagens sobre a caça a bandidos nos morros cariocas. Mas isto está acontecendo em Natal, capital do Rio Grande do Norte. Um bandido que faz questão de ser chamado pela alcunha de Rivotril e que está levando aos policiais militares a ter que tomar Doril tanto é a dor de cabeça para capturá-lo, repito.