Se conselho fosse bom não se dava, se vendia
O ditado popular acima me parece ser muito bem aplicado ao Conselho Político criado esta semana pelo governo Rosalba (DEM), onde decisões políticas, como de praxe, estão sendo tomadas bem distante do Rio Grande do Norte, em Brasília, no Planalto Central. Um dos conselhos teria sido a indicação do marido da governadora, ex-deputado Carlos Augusto Rosado, para secretário-chefe do Gabinete Civil. Outro: o dito Conselho Político decidiu colocar em pauta a sucessão em Mossoró, terra natal da governadora.
É certo que o Conselho Político foi criado para tentar solucionar problemas em meio a uma crise institucional e política, mas daí se partir para “soluções” nada agradáveis aos olhos da sociedade é um risco muito grande que a governadora democrata corre. Não bastassem as redes sociais funcionando a todo vapor contra o seu governo, Rosalba certamente vai enfrentar um desgaste maior ainda caso o seu marido seja confirmado na chefia do Gabinete Civil de seu governo. Seria uma espécie, digamos, de uma extensão de sua casa.
O certo é que o governo do DEM perdeu o rumo e tenta salvar o barco a qualquer custo. Um dos conselheiros, senador José Agripino Maia (DEM), quer encontrar um “bode expiatório” para a crise instalada. Segundo o jornal O Globo, edição de hoje, o parlamentar teria dito que “o governo herdou uma situação financeira complicada, cometeu equívocos de comunicação e alguns equívocos administrativos pontuais. Esse Conselho Político está procurando ajudá-la no dia a dia para resolver as dificuldades” .
Ora, culpar a comunicação do governo, entenda-se aí a Assessoria de Comunicação comandada pelo jornalista Alexandre Mulatinho, pelo desgoverno do governo do DEM, é tentar tapar o sol com a peneira e fazer do setor o “bode expiatório” da crise. A insatisfação não diz respeito a suposta falta de comunicação, como quer dar a entender Agripino, mas sim a falta de ações que desagrada não só ao funcionalismo público, mas como de resto à sociedade. Se o problema fosse por comunicação, a administração da prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV), a quem denomino de “Gestão de Mídia”, estaria bem avaliada, porque o que não falta é mídia. E não é isso que ocorre.
Mas, em todo caso, vamos aguardar a governadora Rosalba Ciarlini se pronunciar oficialmente sobre as mudanças que poderão ocorrer em seu governo na tentativa de sair da crise que enfrenta em menos de dois anos de administração. Se vier a cometer novos erros e a se sujeitar a ouvir conselhos nada ortodoxos como o que a levou em dezembro a tomar uma medida antipática e antidemocrática através de Decreto, instituindo a Área de Segurança no âmbito do Centro Administrativo onde ficam localizadas a Governadoria e as secretarias de Estado, e que por ter repercutido mal acabou sendo revogado, Rosalba estará fadada a terminar o segundo ano de seu governo com o desgaste maior do que o de Micarla. A conferir!