Sem ufanismo
O anúncio ao mercado por parte da Petrobras da descoberta de petróleo em águnas profundas no Rio Grande do Norte, não pode e não deve ser encarado com ufanismo, até porque a reserva ainda será delimitada e, uma vez avaliada técnica e economicamente, poderá ser declarada, ou não, a sua comercialização. Após isso é que se iniciará a fase do desenvolvimento da produção (concepção, construção e instalação de plataformas) e finalmente a produção.
Como bem observou o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, Jean-Paul Prates, em artigo publicado em sua coluna no portal Nominuto.com. “para o Rio Grande do Norte, a descoberta tem uma importância que poderá se revelar histórica, pois, uma vez avaliada economicamente e declarada comercial, tem o potencial de descortinar um novo horizonte para o setor de petróleo no estado. O setor, que se encontra sob grande apreensão quanto ao seu futuro, com o esperado declínio e maturação dos seus campos terrestres, vislumbra no offshore a continuidade da sua tradição petroleira e a manutenção (e crescimento) dos investimentos na área. O sucesso na avaliação destas descobertas poderá tornar a aumentar a importância da nossa bacia na lista de prioridades de investimentos da Petrobras como também de outras empresas já concessionárias ou potenciais interessadas.
Contudo, e a despeito da novidade, não custa lembrar que a Petrobras nos deve uma refinaria de grande porte prometida ainda no primeiro governo Lula, que acabou indo para o vizinho estado do Ceará, Aliás, Prates também frisa em seu texto que a descoberta vem a ser a segunda em águas profundas da Bacia Potiguar (que se estende até o Ceará). A primeira havia sido comunicada em outubro deste ano, na parte cearense da mesma bacia, no prospecto denominado Tango.
Ressalto isto porque em nada vai adiantar a nossa jactância se ficar mesmo constatado que o Poço de Pitu, como é denominado o local onde houve a descoberta, contém petróleo líquido de boa qualidade que possa ser comercializado e as benesses desta descoberta ficarem restritas ao Ceará.
Não esqueçamos que o Rio Grande do Norte é o maior produtor de petróleo em terra e de gás natural do país, e nem por isso a estatal brasileira de petróleo realizou investimentos pesados no estado, a exemplo de uma grande refinaria. O que temos aqui é uma mini-refinaria – Clara Camarão -com capacidade para processar 30 mil barris de petróleo por dia. A mini-refinaria funciona com a adequação das instalações existentes do Pólo Industrial de Guamaré, que já produz gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, diesel e querosene de aviação (QAV), produzindo gasolina e diesel com qualidade internacional, além de nafta petroquímica. A RPCC com operação plena desde 2010, já demanda investimentos de cerca de US$ 200 milhões.já perdidos de vista.
Portanto, sem nenhuma redundância, cuidado para não levarmos um “pitú” da Petrobras
Em tempo: a palavra pitú, além de ser o nome de uma espécie de camarão em águas potiguares, é também uma gíria muito usada no RN para significar calote, trapassa, etc e tal