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Editorial

Sobre a cabeça os aviões

O uso frequente de aviões da FAB por políticos e ministros de Estado e até por parentes e amigos seus não é nenhuma novidade. O que me parece chamou a atenção foi o fato do ministro Garibaldi Alves Filho, e dos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, terem se utilizado deles fora do serviço num momento em que o país clama pela moralidade no serviço público. Este sim, o foco da questão.

É como diz a letra de Tropicália, de Caetano Veloso, que bem se aplica ao momento:

Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões (…)

(…) Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país (…)

(…) Viva a Bossa, sa, sa
Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça
Viva a Bossa, sa, sa
Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça (…)

Caro leitor: Não faz tanto tempo assim a viagem de três dias da comitiva da presidenta Dilma Rousseff para a missa inaugural do papa Francisco, em Roma, envolveu o aluguel de 52 quartos de hotel e 17 veículos. Além, claro, do avião Presidencial que levou toda a comitiva.

Dilma, quatro ministros, assessores mais próximos e seguranças se hospedaram no hotel Westin Excelsior, na Via Veneto, um dos endereços mais sofisticados de Roma, num total previsto de 30 quartos. Um deles foi transformado em escritório para a Presidência da República. A diária da suíte presidencial custou cerca de R$ 7.700, enquanto o quarto mais barato ficou por R$ 910. Os outros 22 quartos, para pessoal de apoio, ficaram em local próximo.

Detalhe: A presidenta não quis ficar na residência oficial da Embaixada do Brasil, instalada num amplo palacete no centro histórico de Roma e que costuma receber mandatários do país.

Portanto, sem querer ser o advogado do diabo e muito menos querer aqui justificar os deslizes cometidos por Garibaldi, Henrique e Renan, fato é que as ruas estão cobrando, e caro, a moralização no serviço público.

É como fala reportagem do site Congresso em Foco reproduzida aqui no blog:

– A tentativa da Câmara e do Senado de implementar uma agenda positiva a partir da pressão popular deixou de fora projetos moralizadores, engavetados há vários anos, que ajudariam a limpar a imagem do Legislativo, do Executivo e do Judiciário. O “mutirão ético” esqueceu de colocar na ordem para votação temas essenciais, a exemplo de matérias que tratam do fim do foro privilegiado para políticos, da redução de verba de gabinete, da abolição de aposentadoria compulsória para magistrados que cometem faltas graves e da criação de varas especializadas para julgar ações de improbidade administrativa.

E completo: e por que não se colocar também na ordem do dia o fim das regalias?

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