Sobre futrica, etiqueta e deturpação da atividade parlamentar
Redes sociais ao mesmo tempo que servem de pautas para a imprensa, servem também para plantar boatos e futricas. Neste final de semana, twittes e facebooks funcionaram a todo vapor futricando sobre um curso de etiqueta para primeiras-damas patrocinado pela Secretaria do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social que, como bem disse o confrade Diógenes Dantas, o bom senso prevaleceu no governo do Rio Grande do Norte cancelando o encontro.
Um prato cheio se o encontro fosse realizado para quem anda nas redes sociais tricotando fuxicos, como antigamente fazia as senhoras donas de casa sentadas nas calçadas ao entardecer. Hoje as calçadas foram trocadas pelas redes sociais. A “vantagem” é que o fuxico pode atingir vários grupos e contaminar até a imprensa, como de hábito.
Replico novamente Diógenes Dantas: “Pense numa inutilidade (esse encontro)! Pense numa coisa fútil! `Pelas caridades´, como se diz em Currais Novos! Que coisa inoportuna!”
Mas o bom senso, para a infelicidade geral da nação, prevaleceu. O curso de etiqueta para primeiras-damas foi cancelado. E aí cancelou-se também as cadeiras nas calçadas, digo, os futricos nas redes sociais.
A bem da verdade, quero chamar a atenção para os futriqueiros que bem mais importante do que futricar sobre o curso de etiquetas para primeiras-damas, seria levar as redes sociais o fato de que, segundo pesquisa da ONG Transparência Brasil, os nossos deputados estaduais podem destinar R$ 24 mil por ano para qualquer entidade cultural ou social do estado. Trata-se de um benefício sem nenhum tipo de concorrência pública ou licitação. É uma clara atitude de “apadrinhamento e compra de apoio político”, na visão da diretora-executiva da ONG, Natália Paiva, que disse mais: “é uma deturpação da atividade parlamentar”.
Aliás, o assunto foi levado ao jornal El País, edição brasileira. O Fantástico também levou reportagem ao ar ontem sobre o título “Deputados estaduais usam coleção de fraudes para desviar dinheiro público”, mas não citou o Rio Grande do Norte. Pena o caso da deturpação da atividade parlamentar não ter sido citada, senão já estaria desde a noite do domingo nas futricas das redes sociais.
Mas, como de costume:
A conferir!