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Editorial

Talvez esteja faltando um Nélio Dias na política potiguar

Nestes tempos de seca que assola o Nordeste e o Rio Grande do Norte sem sorte, talvez esteja faltando um político como o saudoso Nélio Dias, que promoveu o primeiro “Grito da Seca” no estado. Aquele sim, sertanejo valente e deputado federal que lutava pelas coisas do sertão. Por enquanto os políticos papa-jerimum estão num muito blá blá bla. Ações efetivas para conviver com a seca – já não digo nem combate a seca porque a seca não se combate, se aprende a conviver com ela – que é bom, neca de pitibiriba. Reuniões e mais reuniões, muita conversa pra boi dormir – que aliás o boi já tá morrendo de tanta conversa – e não se resolve nada.

Por enquanto o rebanho bovino vai se dizimando. Daqui a pouco será o sertanejo que vai morrer de inanição por não ter nada pra comer nem água pra beber. E aí as autoridades (in) competentes vão pra televisão dizer que providências já estão sendo tomadas, como de costume neste Brasil. Vamos parar do faz de conta e agir. Chega de reuniões em gabinetes fechados ou em plenários com ar-condicionado para dizer que os governos já estão cuidando do problema quando a burocracia emperra  as ações que deveriam sair do papel.

Ainda esta semana o deputado Tomba Farias (PSB) teve a coragem de denunciar no plenário da Assembleia Legislativa que os bancos oficiais – Banco do Brasil e do Nordeste – estão tomando as terras de pequenos e médios agricultores por falta de pagamento das dívidas acumuladas ao longo dos anos. Não vi grande repercussão na fala do parlamentar, que, diga-se de passagem, fez uma denúncia grave, denúncia essa que era pra ser levada em rede nacional. Mas, como as propriedades que estão sendo tomadas são de pequenos e médios agricultores, a pauta não interessa a ninguém. Duvido se isso ocorresse com um grande latifundiário se a imprensa tupiniquim não daria manchete?

Fato é que a seca que, segundo os estudiosos é a maior dos últimos 50 anos, está perdendo espaço na mídia para o Batman da Câmara dos Deputados – deputado pastor Marco Feliciano – com os seus arroubos homofóbicos e para o pirão de farinha com tomate.

Se vivo fosse o sertanejo Nélio Dias, como deputado federal, já teria levado o seu “grito da seca” aos rincões de Brasília e até da bancada ruralista que tanto luta pelos problemas rurais, sobretudo os referentes a região central do país, mas que com relação ao Nordeste fica calada. Que bancada ruralista é essa?

Ah, como faz falta Nélio Dias!

Foto: Canindé Soares

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