Terrorismo oficial
A manchete da Tribuna do Norte desta quarta-feira (25) soa como “terrorismo” oficial. Diz o título da principal reportagem do jornal: “Orçamento garante salários de servidores até setembro”. Claro que o título foi baseado no que afirmou o secretário-chefe do Gabinete Civil do governo do Rio Grande do Norte Paulo de Tarso Fernandes.
De acordo com ele – a quem conheço desde os tempos em que era deputado estadual, e sei da sua franqueza nas declarações -, a previsão orçamentária elaborada no ano passado, ou seja, pelo governo que antecedeu ao atual, só garante os salários do funcionalismo público estadual em dia até setembro. Daí em diante, “vai depender do sucesso das medidas de contenção de gastos que a atual gestão está tomando”.
Apesar da franqueza, como já disse, de Paulo de Tarso, isso me parece “terrorismo”. Desde os tempos do então governador Garibaldi Alves Filho que o calendário de pagamento dos servidores do estado é anunciado com antecedência para todo o ano. Não seria agora com Rosalba que isso iria acabar, até porque, salário de servidor tem que ser prioridade em qualquer governo, se não a máquina estagna. E acredito que Rosalba não queira isso.
A governadora já está passando por uma experiência amarga neste início de governo, com algumas categorias em greve. Imagina se os salários de todo o corpo de servidores atrasarem a partir de setembro. Muitos não terão dinheiro nem para se deslocar ao local de trabalho. Aí sim, o governo para totalmente.
Daí, achar que o que Paulo de Tarso disse à Tribuna não passar de um certo “terrorismo”. Ora, se os reajustes já estão descartados pelo governo, que dirá se os salários atrasarem. Isso é mais uma estratégia do governo para tentar fortalecer o argumento de que não tem dinheiro para conceder os aumentos conquistados por algumas categorias de servidores.
O curioso é que na mesma reportagem, a Tribuna informa que no quadro de servdores públicos, as únicas categorias contempladas com reajustes já implantados estão no Judiciário (13%), Ministério Público (15%) – para ambas o aumento foi em julho de 2010 – e Assembleia Legislativa (porcentual não informado).