Triste do poder que não pode
Na política há uma convicção de que ser presidente do Legislativo – Congresso Nacional, Assembléia Legislativa e Câmara Municipal – é melhor do que exercer o cargo de Executivo – presidente, governador ou prefeito. E por que se pensa assim? Porque o político que exerce a função de presidente do Legislativo não tem as dores de cabeça de quem exerce a função de executivo, e ainda tem a caneta cheia na mão para nomear quem quiser.
É o caso do deputado Ricardo Motta. Se ele se filiar ao PSD do vice-governador Robinson Faria ficará sobre a tutela dele. Sim, porque neste caso quem continuará a mandar na Assembleia Legislativa será o vice-governador. Sendo assim, melhor continuar no PMN. Aí ele pode dar as cartas e até fazer o governo de refém, se quiser, como outrora fez Robinson Faria.
O certo é que Motta, ao que parece, prefere mesmo continuar “mandando” sozinho na Assembleia Legislativa e com a Mont Blanc cheia de tinta a ser tutelado por Faria. E com o compromisso do sistema governista de ser o candidato a vice-governador em 2014 na chapa a ser encabeçada por Rosalba Ciarlini na sua investida a reeleição. Ou quem sabe – isso não está descartado – ser o nome a ser indicado pela Assembleia para assumir o lugar do conselheiro Valério Mesquita, que se aposenta compulsoriamente em novembro do próximo ano. A vaga, então, no Tribunal de Contas estaria disponível para Ricardo Motta.
Se Motta se filiar ao PSD de Robinson Faria, além de ficar sob a tutela do vice-governador, não poderá almejar muita coisa. Melhor então seguir o que foi acordado entre os caciques da política papa-jerimum numa reunião em Brasília dias atrás.
É aí que entra o título deste Editorial. Sob a tutela de Robinson Faria o presidente da Assembleia não teria tanto poder assim.