Último ato demagógico
Com a seca assolando o interior do estado, a calamidade pública no setor saúde, a capital entregue as mosas e as baratas tal a quantidade de lixo espalhada por ruas e avenidas, a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), decidiu, mesmo assim, fazer o seu último ato demagógico neste fim de ano. Desembolsar R$ 300 mil dos cofres públicos para promover uma queima de fogos, entenda-se, queima de dinheiro público, para fazer o “Revéillon” com shows pirotécnicos e de bandas nas praias do Forte e de Ponta Negra.
É como retrata a charge de Newton Silva, publicada aqui no blog – veja clicando Aqui [1] – , ou seja, “Revéillon é o último ato demagógico do ano quando os políticos literalmente queimam o dinheiro público em apenas 15 minutos” . Não sem sentido. O vice-prefeito Paulinho Freire (PP), eleito vereador na última eleição, quando esteve a frente da prefeitura de Natal em substituição a Micarla de Sousa, afastada do cargo por denúncias de recebimento de propina, foi claro quando indagado ainda no início de dezembro se Natal não iria ter Revéillon, quando afirmou que “Natal não tinha o que comemorar”. De fato, Paulinho Freire tinha razão.
Afastado do cargo para ter que ser diplomado vereador, Paulinho Freire cedeu lugar ao também vereador Ney Lopes Jr (DEM) na prefeitura de Natal, que não foi reeleito. Logo que assumiu a cadeira de prefeito, Ney Lopes Jr prometeu pagar os salários do funcionalismo relativos a dezembro. Seria prioridade. Qual nada. Preferiu pagar aos fornecedores e ainda por cima recebeu de sua correligionária a promessa de realizar o Revéillon com os R$ 300 mil doados pelo governo do DEM.
O Revéillon popular com a queima do dinheiro público é assim o último ato demagógico da governadora Rosalba Ciarlini e do seu correligionário prefeito de Natal Ney Lopes Jr. Certamente um presente maior para Natal, que no último dia 25 completou 413 anos de fundação, e para o estado que enfrenta uma das maiores secas dos últimos 30 anos, seria que os governos democratas entregassem Natal limpa e sem buraco ao prefeito eleito Carlos Eduardo Alves (PDT), e que o governo estadual pudesse aplicar melhor os recursos arrecadados no combate ao flagelo da seca e na saúde pública que se encontra literalmente na UTI.