Um projeto de lei eivado de vícios
Se a então controladora-geral do estado não concordou com o modelo de inspeção veicular proposto pelo então diretor-geral do Detran/RN, Carlos Theodorico, auxiliar do governo Wilma de Faria (PSB), e o hoje vice-governador Robinson Faria (PSD), em conversas interceptadas pelo MP disse que não concordava com o serviço – de inspeção veicular – e que estava “fora disso” por considerar uma “encrenca”, é correto afirmar que o projeto encaminhado pela então governadora Wilma de Faria à Assembléia Legislativa e aprovado pelos nossos deputados estava sim eivado de vícios. O interessante nisso tudo é que Robinson Faria era presidente da Casa à época e aliado de Wilma de Faria. E junto com seus pares, aprovou o projeto.
O fato é que socialistas, democratas e tucanos, estavam interessados no serviço de inspeção veicular a ser prestado pelo estado aos donos de automóveis no Rio Grande do Norte. Um negócio da China, a bem da verdade, para os “donos” do poder. O que ainda o Ministério Público Estadual não esclareceu é a real participação do senador José Agripino Maia (DEM) dentro do que se convencionou chamar “Sinal Fechado”.
A ex-governadora Wilma de Faria provocou o MP quando disse que os procuradores de Justiça estavam agindo de má fé contra a sua pessoa ao relacioná-la no esquema. Segundo depoimentos já colhidos de pessoas presas Wilma e também o ex-governador Iberê Ferreira de Souza teriam direito a 15% em propinas e que Iberê já teria recebido R$ 1 milhão. Sobre a ex-governadora, no entanto, até agora só pesa contra si o fato de ter passado por cima do que recomendou a Controladoria Geral do estado. Apesar de somente isso, certamente Wilma tinha interesses outros na sua aprovação, o que deixa margens para pensar que os que a denunciaram tinham razões para fazê-las.
Mas e Agripino, onde entra nessa história? Será que vai sobrar só para o seu suplente? E as conversas interceptadas pelo MP onde se tem indícios de que o senador democrata tinha interesse sim em que o serviço de inspeção veicular continuasse no governo Democrata de Rosalba Ciarlini? E a reunião no gabinete do senador, em Brasília, com a participação do cabeça do esquema George Olímpio e do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o potiguar José Delgado. Qual o motivo dessa reunião? Por que Agripino teria falado com João Faustino sobre essa reunião.
São questionamentos que o MP precisa agora esclarecer, até porque a mídia convencional parece calar sobre as citações do nome de José Agripino Maia nos grampos do MP autorizados pela Justiça. O “homem-bomba” como convencionou chamar João Faustino o jornalista Paulo Henrique Amorim, por enquanto não está podendo falar, pois que encontra-se internado na UTI do Hospital São Lucas em virtude de ter passado mal no último sábado. Mas ao ser liberado da UTI e retornar ao Quartel do Comando Geral da PM, onde está detido, é certo que terá muita coisa pra falar, embora o senador José Agripino, já no dia da Operação Sinal Fechado, em solidariedade ao amigo antecipou-se em dizer que “O passado de João Faustino é suficiente para garantir credibilidade ao que ele venha a dizer sobre esse assunto.”
Ocorre que o passado do “homem-bomba”, conforme Renata Loprete, jornalista da Folha de S. Paulo, não é nada abonador. Segundo ela, Carlos Soarez, ex-sócio da construtora OAS acusado de improbidade administrativa pelo MP de São Paulo no caso Controlar, tem ligação antiga e estreita com João Fuastino. Portanto, muita coisa ainda vai rolar na Sinal Fechado, que como já disse, começa a se abrir. A conferir!