Um tiro na liberdade de protestar
Vou usar o título e o lead de uma matéria publicada hoje pelo jornal Correio Braziliense para sintetizar o momento de barbárie que vive alguns países neste momento, sobretudo a república bolivariana da Venezuela. De acordo com o jornal, um dia depois da prisão do líder oposicionista Leopoldo López, a morte da miss e modelo profissional Gênesis Carmona, de 22 anos, acirrou ainda mais os ânimos na Venezuela. Estudante de ciências sociais, a jovem participava de manifestação pacífica contra o governo, na terça-feira, quando foi baleada na nuca por milicianos pró-Maduro.
Carmona chegou a ser socorrida e levada de moto para hospital, mas não resistiu ao ferimento. É a quinta pessoa a morrer vítima da forte repressão aos protestos de rua no país. A oposição convocou nova marcha para este sábado e pediu à sociedade para não reagir a provocações de chavistas. Fato é que as manifestações de rua em alguns países, inclusive o Brasil, começam a ficar fora de controle.
O título do Editorial reproduzido do Correio sintetiza tudo. No Brasil, por exemplo, o governo já pensa em utilizar as Forças Armadas na Copa do Mundo para coibir os abusos tal a violência nas manifestações onde um cinegrafista fazendo o seu trabalho já foi morto. Não se pode confundir protesto com anarquia, violência e barbárie que é o que está acontecendo, na verdade. Violência gera violência, ou seja, quando os vândalos vão pra rua apedrejar e até matar inocentes a Polícia reage no seu direito. E aí verifica-se um tiro na liberdade de protestar. Um tiro, bem entendido, não só dos policiais, mas também dos “marginais” que acham que protestar é fazer anarquia e agredir pessoas inocentes que estão ali ou trabalhando, caso do cinegrafista, ou protesto de maneira pacífica, caso da ex-miss venezuelana. O mundo está virado de cabeça pra baixo.
Ninguém, absolutamente ninguém, respeita mais o direito dos outros. Tudo é resolvido na base da violência. A palavra democracia parece está sendo deixada de lado em troca da barbárie. Não é este o mundo que quero para os meus netos. Não é este o mundo que prego, mas infelizmente, está se verificando isso. Espero que os homens de boa vontade tenham realmente vontade de dar um basta nisso.