Uma administração nem tão modelo assim
É costume na imprensa nacional vasculhar a vida pregressa de agentes públicos ao serem nomeados para ocupar cargos em governos. A imprensa papa-jerimum não tem lá esse costume. Vez ou outra se fala alguma coisa.
Mas, o prefeito eleito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) foi pego de surpresa já em dezembro, antes da posse, ao indicar o ex-diretor do Idema (Instituto de Desenvolvimento Econômico e do Meio Ambiente do Estado), Fábio Góis, para ser o responsável pela Agência Reguladora de Saneamento Básico.
A imprensa papa-jerimum noticiou na época que Góis foi condenado pelo TCE a devolver R$ 264.952,56 aos cofres públicos. Ele foi acusado de ilegalidade no pagamento da empresa Intersat – Imagens de Satélite Ltda, contratada por R$ 327.940,00 para realizar o Zoneamento Geoambiental do Estado em uma área de 2.083,15 km2.
Agora vem a informação de que o ex-vereador Sid Fonseca foi acomodado na administração Carlos Eduardo Alves como secretário adjunto de Trabalho e Assistência Social. As referências de Fonseca não são lá das melhores para um auxiliar, embora que adjunto, de um prefeito que diz que sua gestão servirá de modelo para o país.
Sid Fonseca, além de delatar colegas na Câmara Municipal levando ao conhecimento da promotora do município, Marise Costa, a existência de um esquema de pagamento de propinas, denúncia essa que foi parar no MP (Ministério Público Estadual) e que levou o nome de Operação Impacto, foi também protagonista do que se convencionou chamar na época “Escândalo das Atas”.
Para quem não lembra ou não sabe, até porque o caso ocorreu há mais de 20 anos, vou relembrar agora:
Na época era repórter de política do Diário de Natal e cobria a Câmara. Nessa sessão só estava eu de jornalista. Não tinha nenhum assunto interessante. As informações de bastidores, essas então, nenhuma. Mas tinha que levar alguma coisa pra redação. Sentei no lugar reservado à imprensa e esperei a sessão começar. Marcílio Carrilho – hoje eleito presidente do Iate Clube de Natal – era o líder do então PFL e estava inscrito para falar. Salvo engano era o segundo orador.
O primeiro edil a subir à tribuna não falou nada de substancial que pudesse render uma matéria. Fiquei aguardando então Carrilho falar.
Carrilho ao pegar o microfone na tribuna foi logo dizendo que tinha uma denúncia grave a fazer. Disse que o governador Geraldo Melo (então no PMDB) estava comprando deputados da oposição na Assembleia Legislativa para aprovar um projeto de interesse do governo. Anotei tudo e nem esperei a sessão acabar. Quando Carrilho terminou o pronunciamento corri pra redação. Tinha em mãos uma bomba, e com exclusividade, pois como já disse de repórter só eu estava na hora.
No dia seguinte ao pronunciamento o Diário deu destaque ao assunto. O governador então solicitou que o vereador Wober Júnior, líder da bancada do PMDB na CMN, pedisse a cópia da ata da sessão para poder processar Marcílio Carrilho. A cópia foi solicitada, mas Sid Fonseca atendendo a um pedido do colega vereador Marcílio Carrilho mandou alterar o documento. Wober solicitou então a gravação da sessão. Na Justiça foram apresentadas duas atas: a verdadeira contendo as acusações do vereador contra o governador, e a falsa que foi adulterada por determinação do presidente da Câmara.
Por discordar da atitude de Sid Fonseca, o procurador da CMN, advogado Paulo Lopo Saraiva, pediu exoneração do cargo aumentando ainda mais a crise. O escândalo tomou conta da mídia durante um bom tempo. A partir desse momento a editoria de Política do Diário colocou dois repórteres na cobertura do caso. Eu e o colega e amigo Flávio Marinho. Não faltavam assuntos. Nossas fontes nos abasteciam e o escândalo levou a que Sid Fonseca não se reelegesse mais. Quando muito uma suplência.
Como se observa, a administração Carlos Eduardo Alves não poderá ser considerada nem tão modelo assim. A menos que… repense alguns de seus auxiliares.
Atualizado às 17h17m
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