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Editorial

Uma cidade que não preserva a sua memória não tem história

Lendo o texto de Ilana Félix – por sinal minha prima – sob o título O tombamento que derrubou “a casa de Djalma Maranhão” republicado aqui neste espaço, me veio logo o pensamento: Uma cidade que não preserva a sua memória não tem história, cujo título dei ao editorial.

O caso citado por Ilana é emblemático. A desfaçatez com que o poder público dissimulou o “tombamento” da casa onde residiu o prefeito Djalma Maranhão, que por ironia do destino foi um alcaide que previlegiou a cultura e a educação em Natal, cidade a qual administrou na década de 1960, cassado pela ditadura militar, foi algo assim que foge ao nosso imaginário. Para dizer que a casa foi tombada deixou só a sua fachada. O restante da casa foi transformado num estacionamento particular.

Não, não estou de brincadeira não! Quem mora em Natal pode verificar o que estou a dizer. Infelizmente cultura em nossa cidade está ligada a Carnatal, carnaval fora de época que acontece em janeiro onde uma única empresa ganha milhões, caso da Destaque Promoções, e o poder público entra com toda a infraestrutura. Isso para alguns é cultura. Para mim não, cara pálida.

Cultura é algo muito mais amplo, como por exemplo preservar o patrimôniuo histórico de uma cidade. Mas os poderes públicos, e aí me refiro ao governo do estado como a prefeitura de Natal parece que pensam diferente. Vou citar só um exemplo: A Casa de Câmara Cascudo, hoje transformada num memorial contendo todo o seu acervo, foi preciso que a própria família do maior folclorista do Brasil, tomasse a iniciativa de transformá-la num museu. Caso contrário, não se teria conhecimento do grande acervo deixado pelo escritor, historiador, folclorista e jornalista que foi Câmara Casacudo.

Alguém com menos de 40 anos sabe dizer quem foi Café Filho? Certamente que não! E se sabe foi através das pífias aulas de história que teve na escola. Alguém sabe dizer que existe um museu na casa onde morou Café Filho, que fica próximo a Assembléia Legislativa, Centro de Natal? Me arrisco a dizer que poucos são sabedores disso. E sabe por que? Porque o poder público não faz divulgação.

Alguém sabe dizer que o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural Brasileiro aprovou no ano passado proposta de tombamento do Centro Histórico de Natal apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan? Duvido que muita gente saiba.  Grande parte da história social, econômica, política e urbana de Natal, no Rio Grande do Norte, pode ser contada por seu centro histórico que mescla uma malha urbana colonial com um conjunto arquitetônico de todas as épocas, em que o século XX deixou a sua maior marca. Apesar das intervenções contemporâneas incorporadas ao longo dos anos, a área que deu início à cidade ainda conserva conjuntos de edifícios e bairros com suficiente representatividade histórica, justificando sua preservação como patrimônio cultural brasileiro. Mas, infelizmente, poucos sabem disso.

Então, caro web-leitor, no caso da casa de Djalma Maranhão. Quando se faz uma Portaria, publicada no Diário Oficial do Município, no qual a lei que instituiu o Conselho Municipal de Cultura, a Lei nº 4.522/94, e que a Câmara faz uma observação de que a tal Lei fora  revogada por outra –  Lei nº 4.838/97, extinguindo o  CMC, e que tal conselho ‘inexistente’ resolvera tombar somente a fachada do prédio onde residiu Djalma Maranhão, fazer o que? Apenas lamentar a falta de cultura nesta cidade dos Reis Magos. E só!


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